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Geral

Drogas: razão da superlotação e reincidência permanente de presos

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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“Mesmo que queira, ele não pode mais sair”, diz a mãe de um detento de Passo Fundo (preso por envolvimento com tráfico de entorpecentes), a quem vamos identificar como “M”, para preservar seu nome. Com o filho prestes a ser solto, depois de cinco anos de pena, “M” teme o que pode acontecer, e pior, ela afirma que mesmo que o filho queira abandonar o crime, ele não tem mais escolha. Essa é a realidade ignorada daqueles que entram nesse ciclo sem fim.

 

No Rio Grande do Sul, do total de 30.563 presos, 20.999 (69%) não estão na cadeia pela primeira vez. Em Passo Fundo, dos 657 apenados, 420 (64%) já cumpriram alguma pena. Os dados são do Departamento de Planejamento da SUSEPE.

 

Mais da metade dos crimes pelos quais os presos respondem é enquadrada como tráfico de entorpecentes. Porém, informações extra-oficiais revelam que quase a totalidade dos crimes cometidos tem ligação indireta com tráfico de drogas.

 

Lotam as penitenciárias, indivíduos que matam por causa de questões do tráfico ou são movidos por pessoas envolvidas.Segundo a Brigada Militar, 94% dos homicídios cometidos em Porto Alegre no ano de 2014 foram por causa do tráfico de drogas. Os índices apontam para dois pontos preocupantes: a recuperação promovida nos presídios e o crescimento ascendente do tráfico.

 

A situação em Passo Fundo

 

No Presídio Regional de Passo Fundo dos 657 presos, 340 estão enquadrados por tráfico de entorpecentes. O número corresponde ao registro de envolvimento direto. No entanto, tantos outros delitos cometidos tem ligação indireta com tráfico. Na rede do crime, uma prática acaba conduzindo a outra.  Assim, os indícios são de que os outros enquadramentos registrados no ato da prisão também tenham relação indireta com o mundo das drogas.

 

M conta que, segundo relatos do filho, mesmo dentro das casas prisionais, o crime segue. Das muitas histórias que o filho acompanha, ela diz que além do tráfico ser comandado de dentro do presídio (através de telefone celular), o crime acontece entre os presos. Alguns casos chegam ao ponto da família ter que pagar dívidas para manter o detento em segurança.

 

Mas não é só isso. O padrão de vida das mulheres e filhos dos “donos do tráfico” (que estão no presídio) continua o mesmo. A máfia se sustenta. No ano passado, 189 aparelhos celulares foram apreendidos no Presídio Regional de Passo Fundo. Deste número, 32 foram encontrados com os presos, dois com visitantes e 155 em situações diversas: escondidos, sob o telhado, na rede de esgoto.

 

 

Raio-x para coibir entrada de materiais proibidos

 

De acordo com o chefe de segurança do Presídio Regional de Passo Fundo, Diego Fernando dos Santos, a maioria dos materiais proibidos e que acabam entrando para a casa prisional são arremessados pelos muros.

 

A inspeção dos visitantes está cada vez mais rigorosa. Em janeiro, entrou em funcionamento o raio-x que permite visualizar a presença de objetos proibidos nas sacolas que os visitantes levam. Além disso, há um detector de metais, pelos quais as pessoas precisam passar antes de entrar no presídio. Em 2014, os apenados de Passo Fundo receberam 25.540 visitas.
 

 

Já em relação à segurança dos presos, Diego esclarece que até a disposição das celas e galerias é feita levando isso em consideração. São três galerias: A – com 14 celas e alojamento, B – com 7 celas e alojamento e a C – com 20 celas. Nestes espaços são acomodados os 657 presos.

 

Santos explica que a galeria B é onde ficam os presos em situação de risco, que tenham algum conflito ou que são acusados de crimes que são condenados até dentro da cadeia como estupro ou pedofilia.

 

Segundo o chefe de segurança, a orientação é para que, nos casos de ameaça, o apenado procure a direção da casa para que sejam tomadas as medidas administrativas cabíveis. Em algumas situações, pode haver a remoção do presídio por 90 dias, até que os “ânimos se acalmem”. A transferência em si, é um processo mais complicado uma vez que o detento tem o direito de permanecer na cidade onde a família reside.

 

 

Mãe: “preferia que ele continuasse preso”.

Diego destaca que uma das funções da casa prisional é manter a integridade física dos presos. Nesse sentido, os detentos recebem acompanhamento médico e acesso à educação. No ano passado, 32 apenados estavam estudando dentro do presídio. O chefe de segurança reitera que além do atendimento realizado dentro da casa prisional, nos casos de envolvimento com entorpecentes, é feito o encaminhamento para a rede pública quando o apenado está prestes a sair.

 

Apesar das alternativas, para M, a lei do bandido é mais forte, uma vez dentro do crime é quase impossível sair ileso. Ela teme a saída do filho e lamenta “preferia que ele continuasse preso”.

 

 

Reincidência: roda viva escandalosa

Para reverter esse quadro, que formou um ciclo vicioso de criminalidade em torno da drogadição, é fundamental que políticos e autoridades constituídas trabalhem para criar mecanismos que permitam enfrentar com radicalismo essa questão da reincidência perversa e do egoísmo da sociedade que não aceitam mais presidiários, que se multiplicam a cada dia. A bola de neve vem crescendo sem parar e vai engolir a todos.