Doações e transplantes de órgãos estão com números próximos a antes da pandemia em Passo Fundo
Passado o momento da pandemia, os hospitais do Rio Grande do Sul retomam a rotina de transplantes, mas o movimento ainda é baixo no Estado. Porém, Passo Fundo tem o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) como referência na doação e captação.
Em entrevista na Uirapuru, o coordenador da Organização de Procura de Órgãos do HSVP, Dr. Cassiano Ughini Crusius, explicou que o OPO 4 é uma rede de captação que faz com que possíveis doadores sejam efetivados como doadores de órgãos. A organização tem o trabalho de fazer com que pacientes que tenham morte cerebral sejam devidamente manejados para que se tornem doadores.
Segundo Crusius, como todos os lugares do mundo, em Passo Fundo também houve uma redução drástica nas doações de órgãos durante a pandemia. No início de 2020, por exemplo, as doações praticamente pararam, porque ninguém sabia como a covid-19 se comportava nos transplantados e doadores. Depois desse período, com o conhecimento sobre a doença e a evolução do conhecimento sobre a covid-19, as doações voltaram ao normal e hoje os números são compatíveis aos registrados antes da pandemia, em 2019.
O médico explicou que existem dois tipos de transplantes: um é o transplante intervivos, que geralmente é feito com rins, e o outro, que representa a grande maioria, é com doador cadáver. Crusius explicou que aquele paciente que não tem mais viabilidade neurológica, que são casos de morte cerebral, são os que podem ter seus órgãos doados. O médico declarou que a morte cerebral equivale a morte biológica e reforçou que, uma vez detectada a morte cerebral, o indivíduo está em óbito.
Para chegar a esse diagnóstico e dizer que alguém está com morte cerebral, o paciente é examinado por, no mínimo, dois médicos, que fazem baterias de testes. Um terceiro médico ainda faz exame de imagem para comprovar que não há mais circulação sanguínea dentro do cérebro do paciente. A partir disso, vários órgãos podem ser utilizados, desde peles e córneas aos mais utilizados, que são rins e fígados. Crusius também lembra que existem diversos transplantes de coração e pulmão, porém, por serem mais complexos e precisarem de aparato maior, os números são menores que o de transplantes de fígados e rins.
O médico também conta que quem define a doação são os familiares. Por isso, ele orienta que as famílias conversem sobre a doação e, caso alguém queira ser doador, deixe claro esse desejo. Se houver um quadro possível de doação e a família estiver avisada sobre esse desejo, será mais fácil decidir pela doação de órgãos.