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Geral

Do sagrado ao individualismo: A Páscoa vem se transformando no mundo contemporâneo

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A Páscoa, tradicionalmente, é um momento de renovação, fé e reencontro. Para muitas culturas, simboliza passagem—seja da escravidão para a liberdade, do inverno para a primavera ou, no sentido cristão, da morte para a ressurreição. Era uma data em que as famílias se reuniam, compartilhavam refeições simbólicas, e os mais velhos transmitiam histórias e significados aos mais novos. Hoje, porém, em uma sociedade acelerada, ansiosa e cada vez mais individualista, esses rituais estão se transformando—quando não desaparecendo. O Programa Sem Segredo foi especial e trouxe para o centro do debate o que de fato a Páscoa representa para as pessoas.
O Padre Eberson Fontada, da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida observou que olhar para a cruz de Cristo nos permite fazer um diálogo com a nossa realidade, seja em que tempo for. Ele concorda que a tradição não é mais a mesma e que ela se transforma com o tempo. No entanto, a essência permanece. Padre Eberson deu alguns exemplos de como carregamos muitas cruzes, individual o coletivamente:

Antes, os rituais eram ensinados naturalmente. As crianças ajudavam a preparar a mesa, ouviam sobre o significados. Hoje, muitas famílias não têm tempo—ou não priorizam—essa transmissão.
Para o Pastor Leandro Trizzini, esse mundo agitado leva as pessoas a resolver seus problemas no campo emocional, esquecendo as práticas espirituais que estão sendo deixadas de lado. Mas, segundo ele, as missões religiosas existem para ajudar as pessoas a se reencontrarem espiritualmente.

Também participou do Sem Segredo, o historiador Augusto Guedes. Além de trazer o contexto histórico da Páscoa, que tem sua origem no judaísmo e depois tornou-se uma celebração cristã, ele falou sobre o surgimento dos ovos de páscoa e do coelho como símbolos. Segundo ele, a Páscoa cristã coincidiu com festivais pagãos da primavera, e muitos costumes foram adaptados. A tradição do coelho trazendo ovos surgiu na Alemanha, espalhando-se pelo mundo como parte do folclore pascal, especialmente em países como EUA e Brasil. Guedes disse que isso proporcionou que a Páscoa passasse a ser celebrada por diversas religiões: