Divulgação de fotos de foragidos em Goiás repercute e polícia de Passo Fundo explica critérios
A divulgação de uma lista com nomes e fotos de foragidos da Justiça pela Polícia Civil de Goiás chamou a atenção nos últimos dias, especialmente por incluir moradores de Passo Fundo acusados de aplicar o golpe do bilhete premiado naquele estado. Após a publicação, diversos ouvintes questionaram o procedimento adotado pela polícia goiana ao divulgar fotos e nomes dos envolvidos, prática que não é comum no Rio Grande do Sul.
Em entrevista à Uirapuru, o delegado regional da Polícia Civil, Adroaldo Schenkel, esclareceu que a legislação brasileira é única e que, após alterações na Lei de Abuso de Autoridade, a divulgação de nomes e imagens de pessoas envolvidas em crimes pode configurar infração legal e gerar responsabilização penal, o que exige cautela por parte das corporações. Segundo ele, a decisão de publicar ou não listas com foragidos cabe à delegacia responsável pela investigação. Quando os crimes são apurados em Passo Fundo e há foragidos, a própria polícia local realiza a divulgação.
No caso dos passofundenses procurados por golpes em Goiás, porém, as investigações são conduzidas pelas autoridades daquele estado. Schenkel acrescentou que, uma vez que o mandado de prisão esteja devidamente cadastrado no Banco Nacional de Pessoas Procuradas, não há impedimento legal para a divulgação, sendo a diferença de postura entre os estados uma questão de critério institucional e do momento processual de cada investigação.
Além disso, destacou que as ações contra estelionatários ligados a Passo Fundo têm se intensificado em parceria com forças policiais de estados como Paraíba, Alagoas, Santa Catarina e Goiás, resultando na prisão de 20 moradores da cidade fora do Rio Grande do Sul em poucos dias. O delegado ressaltou que o início do ano tem sido marcado por forte atuação no combate a esse tipo de crime e lembrou que, no ano passado, foram mais de 60 ações envolvendo o golpe do bilhete premiado, com mais de 30 prisões. As investigações também passaram a incluir outros crimes relacionados, como organização criminosa e lavagem de dinheiro, o que tem agravado a situação dos envolvidos e contribuído para a manutenção das prisões.