Dificuldades para fabricação de veículos zero km devem continuar em 2022
A pandemia fez com que a maioria das montadoras de automóveis sentissem dificuldades para a fabricação e entrega de veículos zero km. A falta de peças e de mão de obra, dificultou o cumprimento de prazos e criou uma longa fila de espera no setor.
A escassez global de semicondutores, que paralisou indústrias de diferentes setores no mundo todo, incluindo o Brasil, vai continuar no próximo ano e pode entrar em 2023 também, por causa do descasamento entre oferta e demanda, aponta um levantamento entre as indústrias. Os microchips são usados em carros, computadores, celulares e vários outros produtos, mas o setor mais afetado foi o automotivo.
A projeção é que a escassez de semicondutores dure até o início de 2023, e que, no fim do próximo ano, a espera por chips será de dez a 20 semanas. Mas o prolongamento da crise não é consenso. De acordo com o representante da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave regional), Renato Belotti, a previsão é que a falta de componentes, não apenas semicondutores, mas outros tipos de peças, deva ser normalizado apenas no segundo semestre de 2022. Essa previsão, conforme Belotti, é antecipada e não há como garantir quando, de fato, o mercado vai se normalizar.
A falta de componentes atinge todas as empresas, não apenas o setor automotivo. Desse modo, fica difícil prever quando o mercado vai voltar a normalidade. Além disso, uma melhora no cenário vai depender de acordo com a demanda de cada país, em relação aos automóveis. No Brasil, conforme Belotti, a expectativa de melhora realmente está prevista só para 2023.
Conforme o representante da Fenabrave, o Brasil possui mais um agravante para manter o atraso da entrega de veículos novos. A partir do ano que vem, entrará em vigor uma lei que regulamenta, de forma rigorosa, a emissão de CO2 nos veículos a combustão. Dessa forma, as montadoras precisarão adaptar os motores dos automóveis novos a essa nova regulamentação, o que deve atrasar ainda mais a entrega das novas unidades.