Diagnóstico de dengue em crianças é mais difícil de ser feito e por isso toda atenção é necessária, diz médica
Das 21 mortes ocasionadas pela dengue e confirmadas pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, três incluem crianças. Um dos casos, inclusive, foi registrado há algumas semanas em Passo Fundo./ Para falar sobre o tema, a reportagem da Rádio Uirapuru conversou com a Doutora Stefania Simon Sostruznik, pediatra e integrante do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo.
Coordenadora Emergência Pediátrica do HSVP, Preceptora de Residência Médica de Pediatria- HSVP e Professora da UPF e da UFFS, a doutora Stefania lembrou que não existe relação entre as mortes de crianças e algum tipo de comorbidade que as vítimas poderia ter. De acordo com a médica, acontece a dengue é uma doença viral e que acaba se confundindo com outras do mesmo tipo. Ao mesmo tempo, naturalmente crianças adquirem mais doenças virais, com sintomas iniciais semelhantes ao da dengue. No caso das pequenas que têm dengue, o quadro apresenta uma piora a partir do terceiro dia, de forma mais rápida ao adulto, o que dificulta o diagnóstico por parte dos médicos. E, pode ocorrer de o diagnóstico vir tardiamente, com um quadro clínico bastante defasado.
A doutora Stefania salientou que as crianças brincam fora de casa, até mesmo perto de reservatórios onde vivem os mosquitos, aumentando e muito o risco de infecção pela doença. Além disso, quando um adulto está com a dengue, ele consegue explicar melhor os sintomas e as dores do que as crianças, piorando a situação do diagnóstico. Uma vez que o quadro for detectado como dengue, a médica Stefania salienta que há uma evolução semelhante ao do adulto, mas no caso da criança, a imunidade ainda é frágil, então a piora clínica acaba sendo grave mais cedo, ocasionando as complicações.
O que é difícil em crianças é fechar o diagnóstico pela dificuldade natural que a criança tem no momento de explicar onde tem dores, por exemplo. Com toda essa dificuldade, a médica Stefania recomenda que os pais observem muito a existência de febre ou queda brusca na temperatura normal, vômito, sonolência, pele pegajosa, queda no apetite e na urina, com desconforto abdominal, sintomas de dengue e que a criança deve ser levada ao hospital.