Dia Mundial do Chocolate: Chocolate artesanal ganha destaque com trajetória da Mimo
Em 7 de julho comemora-se em todo o mundo o Dia do Chocolate. A data ficou conhecida por marcar a chegada do produto à Europa no século XV. Antes disso, o chocolate era consumido apenas por povos originários da América Central, como os maias e os astecas. A partir desse contato, o “ouro negro”, como passou a ser chamado, tornou-se símbolo de status e poder entre a aristocracia europeia. O produto só se popularizou com a Revolução Industrial.
A Rádio Uirapuru conversou com o empresário Carlos Alberto Damiani, proprietário da Chocolates Mimo, marca que completa 40 anos de atuação em Passo Fundo. Ele falou sobre a trajetória da empresa, o mercado do chocolate artesanal, os principais produtos da marca e a relação com o consumidor.
Segundo Damiani, a marca foi criada a partir do potencial percebido em um produto amplamente aceito no mercado. “O chocolate é um alimento que agrada praticamente todos os públicos. Identificamos aí uma oportunidade de trabalhar com algo que tem boa aceitação e que permite agregar valor com processos artesanais”, destacou.
Ao comentar os diferenciais da Chocolates Mimo, o empresário reforçou o compromisso com a escolha criteriosa dos ingredientes. “Trabalhamos exclusivamente com matérias-primas de alta qualidade. O mercado oferece uma variedade imensa de tipos de chocolate, mas optamos sempre por insumos de primeira linha, que garantem sabor e textura superiores”, explicou. Ele também citou práticas alternativas que surgem no setor. “Hoje há até quem produza chocolate utilizando caroço de manga torrado como substituto do cacau. Nós não seguimos esse caminho justamente por priorizarmos a originalidade e a qualidade.”
Entre os principais produtos da marca estão barrinhas, trufas recheadas e espetinhos de morango com cobertura de chocolate, estes últimos muito procurados em eventos. Durante a Páscoa, a empresa trabalha com ovos e figuras temáticas, como coelhos. Além disso, ao longo do ano, são comercializadas cestas personalizadas com chocolates para presente.
Damiani também comentou a evolução do setor de chocolates artesanais na região. “Quando iniciamos, praticamente não havia concorrência no segmento em Passo Fundo. Hoje, há uma variedade grande de marcas e lojas especializadas. O mercado cresceu bastante”, avaliou.
A sazonalidade das vendas também foi abordada. De acordo com o empresário, o consumo aumenta significativamente em épocas frias. “A Páscoa é, sem dúvida, o período de maior movimentação. Em seguida vem o inverno, que eleva bastante a procura pelo chocolate, principalmente pelas características de aconchego que o produto transmite.”
Durante a entrevista, Damiani também apresentou um panorama histórico do chocolate. Ele relatou que o consumo remonta há mais de quatro mil anos, entre os povos mesoamericanos. “Naquela época, civilizações como os olmecas torravam os grãos de cacau para produzir uma bebida amarga, consumida principalmente em rituais religiosos”, contou. Segundo ele, o cacau foi posteriormente usado como moeda pelos astecas, que negociaram com Hernán Cortés. “Foi Cortés quem levou o cacau para a Europa, onde passou a ser misturado com açúcar e mel. Isso mudou o perfil da bebida e abriu caminho para o chocolate que conhecemos hoje. Em 1929, Henri Nestlé criou as primeiras barrinhas industrializadas”, acrescentou.
Ao comentar suas preferências pessoais, Damiani revelou: “Tenho uma predileção pelo chocolate ao leite, por conta do equilíbrio entre doçura e cremosidade”. Ele também abordou o debate sobre o chocolate branco, frequentemente questionado por não conter massa de cacau. “Embora não contenha a pasta do cacau, o chocolate branco utiliza a manteiga do cacau, que é um dos componentes essenciais. Do ponto de vista técnico, portanto, ele também é considerado chocolate.”
A relação com os consumidores, segundo o empresário, está diretamente ligada ao padrão de qualidade mantido ao longo dos anos. “Se o produto é bom, o cliente retorna. É fundamental garantir consistência no sabor e na experiência. O uso de coberturas hidrogenadas, por exemplo, compromete isso de forma significativa.”
Damiani finalizou destacando os benefícios do consumo consciente. “O chocolate, assim como o vinho, pode trazer efeitos positivos quando consumido com moderação. Ele contribui, inclusive, para a liberação de serotonina, que tem impacto direto no humor e no bem-estar. O excesso, como em qualquer outro alimento, pode ser prejudicial, mas dentro de uma rotina equilibrada, ele pode ser bastante benéfico.”