Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho: Erros na aplicação das normas aumentam risco de acidentes, destaca especialista
O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril, reforça a necessidade de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais e chama atenção para a responsabilidade compartilhada entre empresas e trabalhadores. A data, instituída pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), também coincide com o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, criado pela Lei nº 11.121/2005, e destaca a importância de uma cultura sólida de segurança nos ambientes profissionais.
Em entrevista, o diretor técnico Robson Tomazi avaliou que o cumprimento das normas regulamentadoras em Passo Fundo e região ainda enfrenta desafios, especialmente na aplicação prática das regras. Segundo ele, a segurança do trabalho deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a ser um fator estratégico para empresas que buscam crescimento sustentável. Ele explicou que as normas funcionam como base para reduzir acidentes, inclusive aqueles causados por falhas humanas, e alertou que ignorar essas diretrizes pode gerar impactos financeiros e danos à imagem das organizações.
Entre os problemas mais comuns identificados em empresas, Tomazi destacou a ausência de programas e laudos obrigatórios, falhas na capacitação dos funcionários e irregularidades no fornecimento e registro de Equipamentos de Proteção Individual. Também apontou erros em enquadramentos de insalubridade e a falta de envio de informações ao sistema do governo, o que pode resultar em penalidades. Como alternativa, mencionou o uso de tecnologias como o registro biométrico para controle de entrega de EPIs, que substitui processos manuais e amplia a segurança das informações.
Sobre os treinamentos, o diretor explicou que há modalidades teóricas, realizadas por plataforma online, e cursos presenciais, voltados a atividades como trabalho em altura, eletricidade e operação de máquinas. Ele relatou casos em que a capacitação evitou acidentes, incluindo situações em que trabalhadores aplicaram técnicas aprendidas para prevenir quedas. Também citou a importância dos exames periódicos, mencionando um caso em que foi identificada uma limitação visual em um operador de máquinas, o que poderia ter resultado em um acidente mais grave.
Por fim, Robson Tomazi afirmou que, apesar dos avanços na área, ainda há resistência tanto por parte de empregadores quanto de trabalhadores. Ele destacou que muitos empresários ainda veem a segurança como custo, enquanto alguns funcionários negligenciam o uso de equipamentos de proteção. Segundo ele, a mudança cultural é essencial para consolidar ambientes de trabalho mais seguros e preservar a saúde dos profissionais.