Dia Internacional do Combate ao Fumo: cigarro segue entre as principais causas de mortes evitáveis, alerta pneumologista
Nesta sexta-feira, 29 de agosto, é lembrado o Dia Internacional do Combate ao Fumo, data que busca reforçar os riscos do tabagismo e incentivar ações de prevenção e abandono do vício. A Rádio Uirapuru conversou sobre o tema com o médico pneumologista Vinícius Dal Maso, que ressaltou a importância de manter o debate diante das mudanças no comportamento dos fumantes e do aumento do consumo de cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens.
Dal Maso explicou que o cigarro segue sendo um dos principais fatores de risco para a saúde e uma das maiores causas de mortes evitáveis no mundo. Por isso, datas como esta servem para relembrar informações conhecidas e alertar para novas formas de consumo, especialmente entre adolescentes. Ele ressaltou que o uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes ou pods, é hoje uma preocupação mundial e que Passo Fundo e região acompanham essa tendência.
O médico citou que pesquisas mostraram uma redução no número de fumantes no país após políticas públicas que incluíram aumento de impostos e restrições de propaganda. Dados do IBGE indicaram que em 2008 cerca de 20% da população fumava, percentual que caiu para 8% em 2023, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, Dal Maso alertou que há indícios de crescimento recente do tabagismo, impulsionado pela entrada dos cigarros eletrônicos entre os jovens, que muitas vezes não tiveram contato prévio com o cigarro tradicional.
O pneumologista afirmou que a dependência de nicotina é o principal risco dos dispositivos eletrônicos. Segundo ele, esses produtos permitem maior consumo de nicotina em menos tempo, o que intensifica a dependência e pode levar ao uso do cigarro convencional, tanto pelo custo quanto pela escalada do vício. Dal Maso chamou a atenção para a necessidade de diálogo entre pais e adolescentes, já que muitos jovens apresentam dificuldade em permanecer poucas horas sem fumar, inclusive em sala de aula.
Em relação às consequências, o médico destacou que o tabagismo está associado a mais de 20 tipos de câncer, incluindo pulmão, laringe, cabeça e pescoço, além de doenças pulmonares como enfisema e doença pulmonar obstrutiva crônica. O cigarro também eleva o risco de problemas cardiovasculares, como infarto, e neurológicos, como acidente vascular cerebral.
Dal Maso reforçou que existem políticas públicas de apoio à cessação do tabagismo, incluindo tratamentos disponíveis pelo SUS, que oferecem acompanhamento médico, psicológico e medicamentos. Ele destacou que a combinação desses recursos aumenta em até seis vezes as chances de abandonar o vício.