Dia do Trigo: em menos de cinco anos, Brasil deve ser autossuficiente na produção deste cereal
Hoje (10) é celebrado o Dia do Trigo, uma cultura vital para a humanidade, que enfrenta desafios e registra avanços notáveis, inclusive no Rio Grande do Sul, onde as recentes chuvas castigaram os campos de trigo.
A evolução da cultura não está apenas no plantio, mas principalmente nas sementes, e Passo Fundo destaca-se como sede da Embrapa Trigo, referência nacional em pesquisas na área. Em entrevista na Uirapuru, o chefe-geral da Embrapa Trigo de Passo Fundo, Jorge Lemainski, destacou o progresso significativo do trigo ao longo dos últimos 50 anos.
Ele lembra que o trigo, que representa 20% dos alimentos consumidos globalmente, desempenha um papel crucial na dieta humana, sendo a base para produtos como pão, macarrão, biscoitos e até mesmo no pastejo animal para gado de leite e de corte, além de sua utilização na produção de alimentos conservados.
Apesar dos avanços, Lemainski destaca que o Brasil ainda não é autossuficiente em trigo. Com um consumo de 12,5 milhões de toneladas, o país viu, no ano passado, a maior safra de trigo de sua história, atingindo 10,6 milhões de toneladas. No entanto, as condições climáticas adversas, especialmente no sul do país nos meses de setembro e outubro deste ano, comprometeram a produção e a qualidade do trigo.
Lemainski ressalta a importância de buscar mercados para o trigo, mesmo diante das dificuldades. Nos últimos anos, os produtores experimentaram oscilações no mercado, com preços da saca do trigo variando significativamente. Em 2019, a média estava entre 40 e 42 reais, subindo para 55 em 2020, alcançando 80 em 2021, negociando entre 90 e 100 reais em 2022, e experimentando uma queda em 2023.
De acordo com o chefe-geral, essas flutuações são inerentes à dinâmica mercadológica e muitas vezes fogem do controle dos produtores e do governo. Apesar dos desafios, Lemainski destaca os ganhos impressionantes de produtividade nas últimas cinco décadas, que superaram em cinco vezes a produtividade da década de 70, por exemplo.
Ele enfatiza que isso é resultado de ciência, estudo, manejo e melhoramento das práticas agrícolas. A expectativa é que, em menos de cinco anos, o Brasil alcance a autossuficiência na produção de trigo, atendendo à demanda nacional de 12,5 milhões de toneladas.
Conforme o chefe-geral, o caminho para esse objetivo requer um esforço conjunto, envolvendo produtores, instituições de pesquisa e o apoio contínuo do governo, destacando a importância estratégica do trigo na segurança alimentar do país.