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Geral

Dia do Geólogo: profissão é fundamental para segurança de empreendimentos, mas carece de reconhecimento

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Dia do Geólogo é celebrado em 30 de maio no Brasil em referência à aprovação da Lei 4.076, de 30 de maio de 1962, que regulamenta a profissão do geólogo, com exercício fiscalizado pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). A data reconhece todos os profissionais que atuam nas diversas áreas da geologia, entre elas pesquisa mineral e mineração, petrologia, geologia do petróleo, hidrogeologia, geotécnica, geoquímica, geofísica, geologia marinha, geologia ambiental e de planejamento, paleontologia e geoturismo, entre outras. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o geólogo Luiz Paulo Fragomeni explicou a amplitude da atuação da profissão e sua relevância em diferentes setores da sociedade.

Segundo Fragomeni, o geólogo é o profissional que estuda o meio físico — solo, rochas, água e ar — e está habilitado para buscar recursos minerais e energéticos, como ouro, diamante, carvão, petróleo e gás natural. A atuação também inclui a identificação de materiais utilizados na construção civil, como brita, areia e argila. “Tudo que não é biótico interessa ao geólogo diretamente”, explicou. Ele destacou ainda a importância da geologia ambiental, voltada para o monitoramento da qualidade ambiental e a identificação de áreas de risco geológico.

Fragomeni chamou atenção para a atuação dos geólogos na prevenção de desastres naturais, como deslizamentos e alagamentos, especialmente em situações de emergência. Conforme relatou, durante as enchentes ocorridas há um ano no Rio Grande do Sul, profissionais da área atuaram intensamente, muitas vezes de forma voluntária, apoiando prefeituras na avaliação de áreas de risco. “Precisávamos definir se uma encosta ia desabar ou não, e os geólogos atuaram intensamente”, afirmou.

O geólogo avaliou que, passado um ano da tragédia, houve avanços na estruturação da defesa civil e nos planos de contingência. “A gente aprendeu porque os planos de contingenciamento hoje estão muito mais sólidos”, afirmou. Ele apontou que muitos municípios passaram a considerar o risco geológico em seus planos ambientais e que, no caso de Passo Fundo, o município já apresenta um planejamento que contempla essas questões. “Em alguns locais, com mais intensidade que outros, mas no geral sim, há uma grande diferença entre o que era a prevenção há um ano e o que é hoje”, avaliou.

Fragomeni observou que Passo Fundo está em uma posição geográfica privilegiada, o que reduz os riscos de enchentes e deslizamentos. “Nós somos uma área alta, uma região de cabeceiras. Isso faz com que a gente não tenha tanto problema com enchentes, deslizamentos, instabilidade de solo”, disse. Ele explicou que, por esse motivo, a defesa civil estadual chegou a operar a partir do município para atender outras regiões do Estado durante a crise climática.

Apesar da importância da profissão, Fragomeni apontou que há baixa procura pelos cursos de geologia no país. “O interesse das pessoas não está sendo muito grande. Eu entendo que muito por desconhecimento, por falta de divulgação da própria profissão”, afirmou. Segundo ele, há uma demanda crescente por geólogos no mercado, especialmente para atuar em projetos de infraestrutura, loteamentos, empreendimentos industriais e na avaliação de impactos ambientais. “Tem muita demanda e pouco profissional”, concluiu.