Dia do Enfermo: Cuidados com doentes exige atenção multidisciplinar e apoio às famílias
O Dia Mundial do Enfermo é celebrado anualmente em 11 de fevereiro. A data foi instituída em 1992 pelo Papa João Paulo II com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância do cuidado com os doentes e a necessidade de um atendimento mais humano e fraterno. A escolha do dia está relacionada à memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira dos enfermos.
A data também destaca o impacto do envelhecimento da população na saúde pública. O geriatra Daniel Marcolin, mestre em envelhecimento humano e professor da UPF e da residência médica de geriatria do Hospital São Vicente de Paulo, explica que o aumento da longevidade eleva a incidência de doenças crônicas e a necessidade de tratamentos de longo prazo. “Muitas pessoas vão viver por muito tempo com doenças crônicas, seja para tomar medicação para doenças comuns como pressão alta e diabetes, ou para tratar doenças mais graves como câncer, Parkinson e Alzheimer”, afirma o especialista.
Os cuidados paliativos são um tema central no debate sobre o atendimento aos enfermos. Marcolin destaca que essa abordagem é essencial para garantir conforto e qualidade de vida aos pacientes, independentemente da possibilidade de cura. “Os cuidados paliativos precisam ser desmistificados. Muitas pessoas têm a ideia de que são um trabalho sem grande importância, quando, na verdade, se trata de uma ação humanizada, feita por profissionais de saúde para tratar os sintomas e melhorar o bem-estar do paciente”, explica.
A sobrecarga dos familiares que assumem o papel de cuidadores também é uma questão relevante. A chamada síndrome do estresse do cuidador afeta aqueles que dedicam grande parte do tempo a um familiar doente, podendo gerar ansiedade, depressão, dores crônicas e dificuldades econômicas. “Muitas vezes, as famílias não têm disponibilidade para cuidar do enfermo 24 horas por dia. Isso gera um grande impacto, pois alguns precisam abdicar de atividades e lazer, o que pode levar ao esgotamento”, alerta Marcolin. Ele reforça que o sistema de saúde deve oferecer suporte também para os cuidadores.
O atendimento ao enfermo exige a atuação de uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais de medicina, enfermagem, fisioterapia, odontologia, fonoaudiologia, psicologia, assistência social e, quando necessário, apoio religioso. “Hoje, priorizamos muito mais do que apenas dar remédios e tratar a doença. O foco é na qualidade de vida, garantindo que o paciente tenha seus sintomas controlados e possa viver com dignidade”, conclui o especialista.