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Geral

Dia do Bancário: Categoria enfrenta redução de postos de trabalho e exigências de qualificação, avalia sindicato

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers
Business people shaking hands, finishing up meeting. businessman giving money to his partner while making contract - bribery and corruption concepts.

O Dia do Bancário é comemorado em 28 de agosto em referência à greve nacional iniciada em 1951 pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, que reivindicava reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A mobilização marcou a história da categoria e até hoje simboliza a luta por direitos.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários de Passo Fundo e Região, André Madruga, falou sobre o cenário atual da categoria, as mudanças provocadas pela tecnologia e os principais desafios enfrentados pela profissão.

Ele explicou que o movimento sindical tem acompanhado com preocupação as mudanças no setor, aceleradas sobretudo após a pandemia, como o avanço dos bancos digitais, a ampliação do uso de aplicativos e a redução de postos de trabalho e de atendimento presencial. Madruga afirmou que esse cenário gera desafios para conciliar inovação tecnológica e qualidade no atendimento à população.

O coordenador destacou que a última Conferência Nacional dos Bancários, realizada recentemente, apontou como pauta central a necessidade de enfrentar a precarização do serviço. Ele ressaltou que, embora o número de clientes no sistema financeiro não tenha diminuído, a categoria bancária formal vem sendo reduzida, com migração de empregos para correspondentes bancários, cooperativas de crédito e bancos digitais, regidos por outras convenções coletivas.

Segundo Madruga, a ampliação da tecnologia não elimina a necessidade do atendimento humano. Ele observou que as respostas automáticas de inteligência artificial ou aplicativos muitas vezes não resolvem problemas, o que reforça a importância da presença de bancários e bancárias.

O dirigente sindical citou que, atualmente, os pontos de atendimento somando cooperativas e correspondentes bancários já são 14 vezes mais numerosos do que as agências tradicionais. Ainda assim, afirmou que há uma série de demandas que exigem a atuação presencial da categoria, como investimentos, pagamentos e ajustes de inconsistências em contas.

Madruga também fez uma avaliação sobre a evolução da profissão. Ele lembrou que, em décadas passadas, não havia exigência de formação acadêmica ou de concurso para atuar como bancário, o que mudou no cenário atual. De acordo com ele, hoje o setor exige cada vez mais certificações e especializações, como as oferecidas pela Anbima, e o ingresso na carreira se tornou mais restrito.

O coordenador ressaltou que, mesmo com a redução no número de bancários formais, as funções mais complexas e de caráter negocial ainda demandam profissionais especializados. Ele afirmou que o atendimento personalizado permanece como característica essencial da categoria.

Entre as pautas atuais do sindicato, Madruga citou melhores condições de trabalho e emprego, combate às metas abusivas que têm provocado adoecimento psicológico e psiquiátrico, igualdade salarial entre homens e mulheres e a defesa do fim das demissões e do fechamento de postos de atendimento. Ele ressaltou que os bancos públicos têm papel importante para balizar o mercado e oferecer serviços à população em condições mais acessíveis.