Dependência financeira e falta de apoio familiar são fatores que mantém muitas mulheres presas a relacionamentos violentos, alerta psiquiatra
A violência contra as mulheres têm sido tema de debate e preocupação novamente no Estado nos últimos dias. Assim como no Brasil, o Rio Grande do Sul registra casos frequentes onde homens matam mulheres, movidos principalmente pelo desejo delas em encerrar um relacionamento. No caso mais recente, uma mulher foi morta em Nova Prata, distante 120km de Passo Fundo, pelo ex-marido e pai de seu filho, após o término da relação.
O assunto foi tema do programa semanal Emoção, Afeto e Comportamento, apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer. Durante o programa, Erico destacou que o tema é triste e precisa ser tratado com seriedade. Ele destacou que a violência contra a mulher sempre existiu, mas hoje está mais em debate, o que ajuda a sociedade a tentar entender o fenômeno. Uma das principais perguntas, segundo ele, é por que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos. Por que não conseguem colocar um limite ou buscar uma nova possibilidade de vida?
Erico lembrou muitas mulheres dependem financeiramente do companheiro. Sem autonomia para pagar aluguel, sustentar os filhos ou até mesmo sem apoio da família, elas acabam permanecendo na relação. Para o psiquiatra, esse é um fator importante, mas não é o único. Ele também ressaltou que, na maioria das vezes, o agressor não se torna violento de repente.
O comportamento agressivo costuma aparecer ainda no namoro ou no início do casamento, podendo se intensificar com o tempo. Ou seja, a violência raramente surge do nada. Outro ponto levantado foi o impacto nos filhos. Em casos de feminicídio, as crianças perdem a mãe e também o pai, que geralmente é preso. Mesmo que futuramente ele responda em liberdade, o vínculo familiar fica destruído. Segundo Erico, é uma situação muito grave, que deixa marcas profundas. O psiquiatra também propôs uma reflexão sobre a repetição desse tipo de relacionamento.
Ele explicou que, quando uma mulher suporta situações de violência por muito tempo, pode ser que esse tipo de comportamento já tenha sido vivenciado anteriormente, ainda na infância, dentro de casa. Erico ressaltou que isso não significa culpar a vítima. Ele afirmou que a responsabilidade pela agressão é sempre do agressor. Porém, alertou que aceitar ou tolerar situações de violência faz com que o ciclo continue.