Dependência causada pelo crack cresce e entra na lista dos principais motivos de pagamento de auxílio doença
Nos últimos 25 anos, o crack se tornou um dos principais problemas de saúde pública do mundo. O crescimento no número de usuários no Brasil, apontado pela Previdência Social como responsável pela distribuição de auxílio-doença por dependência química até 2,5 vezes maior que o álcool, preocupa as autoridades e pessoas ligadas ao caso. País com maior número de usuários deste tipo de droga, o Brasil gastou, no ano passado, mais de R$ 206 milhões com auxílios para viciados.
De acordo com o psicólogo e presidente da Comunidade Terapêutica Casa Vita, Iberê D’Avila, a droga é estimulante e acelera o funcionamento do sistema nervoso, fazendo com que o usuário queira estar sempre em contato com ela para manter uma sensação de prazer, favorecendo a dependência.
Segundo D’Avila, o dependente de crack é poliusuário, ou seja, usa outras drogas simultaneamente e tem o álcool e a maconha como portas de entrada.
O perfil mais comum do usuário é de jovens do sexo masculino, entre 18 e 30 anos, de baixa renda e pouca escolaridade, vindos, normalmente, de contextos social e familiar precários.
De acordo com Iberê, 80% dos acolhidos na Casa Vita são dependentes de crack. Ele ressalta que para o tratamento ser eficaz, pode chegar a cinco anos de acompanhamento, a partir de conscientização, desintoxicação e manutenção, buscando uma mudança de comportamento.
Segundo Iberê, é necessário pensar estratégias para conter o uso do crack. Para ele, o poder público precisa investir no tratamento e, principalmente, em políticas públicas de prevenção, com modelos de atenção capazes de identificar os usuários e fazer o acompanhamento do início do tratamento até o período pós ressocialização, para que não haja recaídas e retorno ao vício.