Delegacia da Mulher de Passo Fundo recebeu 500 ocorrências de violência doméstica em dois meses
A delegacia da Mulher de Passo Fundo já recebeu 500 ocorrências de violência doméstica nos dois primeiros meses deste ano. Isso dá uma média de 250 ocorrências por mês e mais de 8 por dia. Neste mesmo período, a Polícia Civil já realizou 20 prisões de homens agressores. A informação foi dada pela Delegada Rafaela Bier durante o Programa Sem Segredo de sábado (04), que abordou sobre os feminicídios.
Em 2022, Passo Fundo registrou 06 feminicídios consumados, um número fora da curva, já que em 2021 não havia registrado nenhum crime desta natureza. O alerta acende quando o número é comparado a Porto Alegre, que registrou 10 feminicídios no ano passado. A Capital tem 1,4 milhão de habitantes, enquanto Passo Fundo tem 217 mil, segundo estimativa do Censo.
“Isso mostra o quanto o machismo estrutural está impregnado na sociedade”, disse a delegada. Segundo ela, a principal causa de feminicídio no município diz respeito a ciúmes e não aceitação do fim de relacionamentos. “O homem trata a mulher como se fosse sua propriedade”, completou.
Ela destacou que Passo Fundo tem uma rede de proteção que funciona e envolve diversos organismos públicos e que as medidas protetivas dadas pela Justiça salvam vidas. 80% das vítimas de feminicídios não tinha medidas protetivas de urgência.
A coordenadora do Programa de Extensão da Faculdade de Direito da UPF, Projur Mulher e Diversidade, Josiane Petry Faria, defendeu mais investimento público para o desenvolvimento de políticas que efetivamente reduzam os índices de violência doméstica. Segundo ela, em 2021 o governo gaúcho investiu apenas R$ 20 mil e no ano passado não investiu nada. O Projur atua gratuitamente há 18 anos na orientação jurídica e encaminhamento de vítimas de violência.
Uma das ouvintes que não quis se identificar defende que é preciso atacar a origem da violência e outra disse que um relacionamento sem violência passa pelo respeito.