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Geral

Da película ao celular: Verno Wobeto comenta mudanças no Dia Mundial da Fotografia

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, lembra a criação da primeira técnica que permitiu registrar imagens de forma duradoura. Em 1839, a França tornou público esse invento e declarou que seria um presente para toda a humanidade. Desde então, a fotografia passou a ter um papel central na forma como as pessoas guardam lembranças e contam suas histórias.

Na véspera da data, a Rádio Uirapuru recebeu o fotógrafo Verno Wobeto, que há 57 anos atua em Passo Fundo. Prestes a completar 80 anos, ele contou que começou na profissão trabalhando em laboratórios e estúdios da cidade, conciliando a atividade com os estudos na Faculdade de Filosofia, concluída em 1970.

Wobeto relatou que, no início da carreira, enfrentou a concorrência de nomes já consolidados no ramo. Para conquistar espaço, buscou diferenciação, oferecendo fotografias em tamanhos maiores e com acabamento distinto. Segundo ele, essa estratégia abriu caminho para que fosse contratado em casamentos e outros eventos sociais, o que consolidou sua atuação como fotógrafo de família.

Ao comentar a transformação do mercado com a chegada da fotografia digital, Wobeto afirmou que houve uma mudança no valor atribuído às imagens. Ele observou que antes as fotografias impressas eram preservadas como relíquias familiares, enquanto hoje grande parte dos registros permanece apenas em celulares e computadores, sujeitos à perda. Ele explicou que, por isso, realiza campanhas periódicas para incentivar a revelação das imagens digitais, visando garantir a preservação das memórias familiares.

Sobre o futuro da profissão, Wobeto avaliou que a tendência atual é o predomínio das imagens digitais em celulares, mas acredita que em alguns anos haverá uma retomada da prática de revelar fotos impressas, quando as famílias perceberem a perda de registros importantes. Ele comparou com sua infância em Cândido Godói, onde fotógrafos itinerantes registravam famílias a cada quatro ou cinco anos, produzindo imagens que permanecem guardadas até hoje.

Para encerrar a conversa, o fotógrafo relatou um episódio em que uma cliente agradeceu por ter revelado suas fotos antes de ter o celular roubado. Ele destacou que esse tipo de situação reforça a importância de preservar a memória das famílias por meio da fotografia impressa.