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Geral

Critérios do Distanciamento Controlado são questionado no Sem Segredo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O governo do Rio Grande do Sul lançou no final de abril modelo de distanciamento controlado. O modelo prevê quatro estágios de controle, traduzidos em “bandeiras”: amarela, laranja, vermelha e preta – sendo que a amarela indica uma situação mais amena, com medidas mais flexíveis, e avançando o grau de restrições até a preta, quando seria necessário maior restrição.

Por isso, o Sem Segredo do último sábado (04) perguntou: O abre e fecha da economia ajuda ou atrapalha? Será que o modelo adotado está sendo eficiente? O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo, Dr. Paulo Reichert, disse lamentar que muitos setores estejam confundindo a grave Pandemia do Coronavírus com política.

O médico foi um dos entrevistados do Programa. Para ele, o abre e fecha é muito ruim, especialmente para o comércio. Reichert diz que o sistema de saúde de Passo Fundo tem plena capacidade de atendimento e que isso não está sendo considerado pelo governo. Ele acha que é preciso rever os critérios e defende que talvez possa se adotar medidas que protejam os idosos e as pessoas mais frágeis, permitindo que as pessoas trabalhem sem aglomerações.

O médico lamenta que não tem um meio termo. É um país que está dividido entre chimangos e maragatos. Não podemos comparar como foi em março a 25ºC e agora novamente com 5ºC em pleno mês de julho. Para ele, há duas maneiras de resolver: ou vai surgir a vacina ou vai ter ciclo de dois anos como foi com a gripe espanhola.

O presidente da Ampla, prefeito de David Canabarro, Marcos Oro, disse que os 62 municípios que fazem parte desta região, classificada pela segunda semana com bandeira vermelha, ainda busca entender um pouco melhor os critérios do governo. Os 62 municípios estão preocupados com a saúde dos cidadãos, mas também com o abre e fecha que não é benéfico para a atividade econômica.

Ele citou que as prefeituras estão fazendo sua parte para garantir o atendimento médico-hospitalar, repassando recursos ao HSVP e HC em Passo Fundo, Cristo Redentor, em Marau e o Hospital de Caridade de Carazinho. Os municípios compraram mais de 1,5 mil testes PCR para ter acompanhamento melhor da doença.

E, talvez, por isso, segundo ele, por ser uma região que está testando mais, naturalmente aparece com mais positivados. Outra ação é a plataforma para buscar números e elementos para entender e até confrontar os números do Estado que até são divergentes. Essa ação está ação tem a parceria da Universidade de Passo Fundo.

O coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Neri Gomes, alertou que as unidades de saúde não estão fazendo o atendimento de pacientes com outras doenças. Segundo ele, a coordenação propôs ao município para promover uma conversa com e organizar esse atendimento. Neri disse que o número de profissionais é baixo e o município precisa contratar mais para atender a demanda. O Conselho defende o atendimento precoce da população, busca ativa e a testagem em massa.

O presidente da Facomércio, Luiz Carlos Bohn, alertou que o governo precisa acertar a dosagem do remédio, para que ele não se transforme em veneno. Lembrou que, em março, o fechamento se deu de uma maneira sem planejamento e o retorno das atividades teve que seguir protocolos rígidos.

Bohn destacou que foi preparado em março um protocolo geral para o comércio e proposto a retomada com o mínimo da atividade em funcionamento. Bohn disse que a Fecomércio não tem nada contra a bandeira, pois elas são importante indicadores de risco.

“O que a gente previu é que nunca teria o modelo de fechamento total. O que a gente ta vendo é que o remédio aplicado de maneira excessiva pode se transformar em veneno. “O remédio é bom, mas tem que ter a dose certa”.

O administrador de empresas, Adriano José da Silva, disse que o novo normal passa pela inconstância do abre e fecha e conviveremos com isso por mais tempo. No entanto, adverte que esta situação causa instabilidade emocional nos empresários, empreendedores e trabalhadores, pois não há como vislumbrar um horizonte na frente.