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Polícia

Criminosos lucravam com o desespero de vítimas das enchentes e da seca no RS

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

As vítimas das empresas que aplicavam o golpe do consórcio, eram escolhidas através dos perfis nas redes sociais e tinham em comum o fato de precisarem de crédito rápido. A Polícia Civil deflagrou uma grande operação contra uma organização criminosa de Passo Fundo que aplicava o golpe em todo o estado e em outras unidades da federação.

Os detalhes sobre a investigação foram divulgados pela Polícia Civil em coletiva de imprensa, às 11h. Até o momento, 10 pessoas foram presas e seis empresas foram alvo de busca e apreensão. A estimativa é que elas comercializaram R$ 3 bilhões em consórcios apenas neste ano.

De acordo com o delegado da delegacia de São Francisco de Assis, responsável pela investigação, os golpistas se aproveitavam do fato de o crédito rural estar escasso para oferecer crédito que seria entregue em poucos dias. Com isso, as pessoas pagavam pela carta de consórcio, mas nunca recebiam o valor. Conforme o delegado, mais de 200 vítimas foram lesadas pela quadrilha.

As vítimas incluem produtores rurais, empresários, autônomos e pessoas em situação de extremo sofrimento econômico, muitos deles atingidos por eventos climáticos recentes. Vítimas das enchentes que devastaram o RS em 2024 e produtores rurais gravemente atingidos pelas secas recorrentes no Estado também foram captados pelo grupo, que se aproveitava da fragilidade emocional e financeira dessas famílias.

O esquema, que se estende com ramificações pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Minas Gerais, é especializado em estelionatos mediante falsas cotas de consórcio contempladas e promessas de contemplação rápida.

Vida de luxo e ostentação

De 2016 a 2025, foram identificadas: dezenas de ocorrências policiais em múltiplas cidades; centenas de ações cíveis com narrativas idênticas; prejuízo estimado que ultrapassa R$ 30 milhões.

Além das 10 pessoas presas, 37 veículos de luxo foram apreendidos, incluindo automóveis das marcas Porsche, BMW, Mercedes-Benz, Volvo, Mini, Land Rover, RAM, entre outros, totalizando mais de R$ 15 milhões. Os criminosos viviam uma vida de luxo, com viagens internacionais, compras de artigos de grife e imóveis de alto padrão.

Os criminosos compraram imóveis de luxo em Santa Catarina. A polícia revelou que dois apartamentos em cidades catarinenses, um em Porto Belo, e outro em Balneário Camboriú, são estimados em R$ 20 milhões.

Policiais Militares envolvidos no esquema

Três policiais da Brigada Militar também foram alvo da investigação. Eles são soldados do 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon), de Passo Fundo, e faziam a escolta do grupo criminoso quando estavam fora de serviço. Em uma ocasião, um deles fez a escolta com uma das viaturas da Brigada Militar.

Conforme o tenente-coronel Rogério Navarro, comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) do Planalto, a Corregedoria-Geral já suspeitava desses fatos e colaborou com a investigação a partir do monitoramento desses soldados.

Os policiais militares são:

Luís Fernando Viecilli Bocchese (preso)
Alcemir Rodrigues da Silva (preso)
Cristiano Portella (se apresentou durante a tarde no Regimento e foi preso).

Os três serão ouvidos e encaminhados para o presídio da Brigada Militar em Porto Alegre.

A reportagem está apurando os nomes dos demais envolvidos.