Crimes bárbaros devem ser prevenidos e não vingados, alerta psiquiatra
No último final de semana, um homem foi espancado em via pública e faleceu no Hospital São Vicente de Paulo em Passo Fundo. Identificado como Jorge Everaldo de Oliveira, ele foi violentamente agredido por moradores na rua Pedro Lessa, no bairro Boqueirão. Segundo informações, o motivo das agressões é a suspeita de que ele teria abusado sexualmente uma menina de 12 anos. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
Em entrevista na Uirapuru, o psiquiatra Carlos Hecktheuer afirmou que a sociedade agiu neste caso como uma “manada”, através de um comportamento tribal e mostrando uma face do ser humano que muitas vezes é esquecida: o lado animal.
Hecktheuer explica que, apesar de todo o progresso que a população teve, nunca deixamos de ser uma espécie animal com consciência. No caso do último final de semana, isso foi esquecido, gerando uma completa desorganização social e ligando o alerta de que é preciso estar atento aos comportamentos do nosso redor, evitando assim manifestações severas.
Conforme o psiquiatra, se for comprovado o estupro por parte do homem que foi morto, a situação mostrará que o problema dele deveria ter sido resolvido ainda na infância.
Segundo Hecktheuer, estupradores são pessoas bárbaras, que não foram civilizadas e cresceram com impulsos naturais do ser humano de uma fase muito antiga, onde as pessoas não conseguiam controlar seus instintos. Ele afirma que uma pessoa que comete este tipo de crime não evoluiu e cresceu sem humanizar-se, criando assim uma espécie de doença mental, agredindo a sociedade, que neste caso reagiu barbaramente, trazendo ainda mais preocupações.
Por isso, o psiquiatra orienta que a comunidade tenha muita atenção e cuidado aos sinais que pedófilos e estupradores possam vir a demonstrar, evitando assim outros casos bárbaros. De acordo com Hecktheuer, estes sinais não são fáceis, claros ou evidentes, mas podem vir através de pessoas quietas, pouco sociáveis, que gostam de observar crianças e tentam contato com elas através de instituições ou da aproximação em certos ambientes.
Conforme o psiquiatra, é preciso observar, conter e confinar este tipo de pessoa, mas não é recomendado eliminar estes criminosos através de atitudes violentas e desesperadoras.
Hecktheuer ressalta que, no caso do bairro Boqueirão, a reação não foi civilizada e não pode ser permitida. Hoje temos justiça e punição para os criminosos, por isso o melhor a se fazer é usar estes recursos, ficar atento aos sinais e assim prevenir este tipo de crime no futuro.