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Geral

Adultização das crianças começa pela família e isso precisa mudar

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A pressão pela facilidade em ganhar dinheiro nas redes sociais, levam muitos pais a usar os próprios filhos como produtos. Isso leva a um outro patamar de adultização de crianças e adolescentes que alimenta uma rede criminosa de pedofilia e abuso sexual. O tema ganhou repercussão há duas semanas, por conta de denúncia feita pelo Yutuber Felca, de que influenciadores e os próprios pais estão usando crianças e adolescentes para ganhar dinheiro nas plataformas digitais. A denúncia forçou o Congresso Nacional, por exemplo, a agilizar a votação de um projeto que já estava em tramitação, regulamentando a Internet quando o assunto é criança e adolescente.

O Programa Sem Segredo debateu o tema no sábado com a delegada Carolina Goulart, que participou como professora de direito penal e processo penal da Atitus, e com a psicóloga Franciele Karpinski Gobbi. As duas convidadas concordam que não há novidade no tema. O que há, é que a partir das redes sociais, isso ficou mais perigoso, porque as crianças e adolescentes tornaram-se vítimas.

Para a delegada Carolina Goulart, tudo começa na família e é preciso urgentemente falar sobre educação sexual, para que as crianças saibam como proteger o próprio corpo. Ela também defende que os pais precisam ter o controle do uso do celular por seus filhos, sob pena de serem responsabilizados por qualquer problema que envolva os menores.

A psicóloga Franciele Karpinski Gobbi disse que a adultização se manifesta de várias formas e muitas vezes aceita como normal pela sociedade, como a agenda sobrecarregada, repleta de cursos, tutores e atividades que visam à produtividade, em detrimento do tempo livre para brincar. Também na erotização precoce, ao vestir meninas com roupas de adulto, maquiando e expondo elas a padrões de beleza inatingíveis. E, por fim, na terceirização da educação emocional, onde o celular e a internet substituem a conversa e o acolhimento. A psicóloga alerta que é preciso urgentemente mudar esta lógica, porque se os pais não querem se incomodar agora, certamente se incomodarão com estas crianças e adolescentes se tornarão adultos: