Criadora da Patrulha Maria da Penha fala à Uirapuru sobre importância de capacitar as mulheres vítimas de violência
A lei 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, veio para incentivar e dar segurança à mulher vítima de violência doméstica a denunciar o seu agressor. Ela trouxe como grande avanço as medidas protetivas de urgência, com afastamento do agressor do lar. Mas para a criadora da Patrulha Maria da Penha do Rio Grande do Sul, Nádia Gerhard, é preciso observar o contexto da violência, que está presente em todas as faixas etárias e classes sociais.
Em conversa com a Uirapuru, durante compromisso em Passo Fundo, no último sábado (14), Nádia contou que a maioria das vítimas não possui ensino fundamental completo ou qualificação profissional, além disso, tem filhos com o agressor, sendo dependente econômica e emocionalmente dele. A legisladora falou que os municípios, bem como o Estado, precisam capacitar essas mulheres, disponibilizar creches com horários estendidos para que possam deixar os filhos enquanto trabalham e oferecer a elas assistência social para aumentar a sua autoestima. Nádia destacou que enquanto essa mulher vítima não for protagonista da sua própria história ela não vai conseguir sair do ciclo da violência. Por isso, salientou a importância das cidades, como Passo Fundo, organizarem palestras em locais com maior vulnerabilidade para empoderar as mulheres com informações.
A vereadora Nádia disse que isso não irá fazer um bem só para o grupo familiar da vítima, mas para a comunidade onde está inserida e para a economia local. Segundo ela, hoje 2,4% do PIB Nacional é gasto somente com a questão da violência doméstica, com polícias, justiça, defensoria pública e outros. Afirmou que os municípios se dando conta de que há necessidade de ter órgãos que trabalhem nessa questão, a tendência é melhorar para todo mundo.
Nádia Gerhard foi a primeira mulher a comandar um batalhão da Brigada Militar no Estado e na capital. Hoje é vereadora de Porto Alegre.