Cresce pedido por auxílio psicológico para pais e filhos durante pandemia
Acostumadas a correr, brincar, pular e saltar em ambientes abertos e rodeados de amigos e colegas, as crianças têm sentido os efeitos de ficar o dia inteiro dentro de casa nesse período de isolamento social. Elas ainda tem que lidar com a educação a distância, um formato até então inédito para o ensino formal de crianças e adolescentes.
Desde março, com a intensificação da contaminação do coronavírus no Estado e, consequentemente, no município, as aulas nas escolas públicas e privadas foram suspensas. A partir disso, as escolas tiveram que mudar suas rotinas e adaptar suas aulas para o ambiente virtual.
Por isso, o Sem Segredo do último sábado (10) perguntou: como os pais estão lidando com os filhos em casa?
O assunto levantou muitas criticas e contestações. Alguns ouvintes relataram que tem visto muitas crianças e adolescentes nos shoppings e praças da cidade. Para eles, os pais estão sendo negligentes por deixar os filhos na rua.
Outros disseram que a escola não tem obrigação de cuidar das crianças, pois quem educa são os pais e eles não podem fugir disso.
Participando do programa, o doutor em psicologia, Vinícius Ferreira, explicou que, como os adultos, as crianças foram muito impactadas com o isolamento social. O simples fato de não poder ir para a escola quebrou a rotina delas.
As escolas têm um papel fundamental na alfabetização da criança e os pais, na maior parte dos casos, não tem uma preparação pedagógica para auxiliar as crianças. Isso causa uma sobrecarga, pois, além de seguir trabalhando, precisam continuar dando atenção aos filhos e ajudá-los nas suas atividades escolares.
O professor destaca que é natural e esperado que todos acabem se estressando com toda essa situação. Conforme ele, a boa notícia é que as crianças têm uma ótima capacidade de recuperação.
De acordo com a psicopedagoga Eleandra Alievi da Rosa, a pandemia trouxe um conjunto de fatores que geraram medo, ansiedade e insegurança, e isso acaba refletindo no comportamento dos pais e das crianças. Com isso, o emocional interfere muito no processo de aprendizado da criança.
As atitudes dos pais são espelhos para as crianças e isso acaba interferindo no processo de aprendizagem.
A conselheira tutelar da microrregião 2, Aline Goelzer, relatou que aumentou as denúncias de violência contra crianças durante o isolamento social. Ela destaca que a realidade das famílias mais vulneráveis é diferente, pois muitas famílias que vivem em uma casa de uma peça não conseguem deixar as crianças dentro da residência e isso acaba agravando a situação.
A procura por ajuda do Conselho Tutelar cresceu, principalmente em relação a ajuda psicológica, tanto de pais como de adolescentes. A conselheira destaca que serão grandes os desafios na tentativa de amenizar todo o impacto psicológico dessas crianças e adolescentes.