Crédito está sobrando, mas produtor é limitado por dívidas de outras safras, avalia Sicredi
O programa Cotações e Mercado, transmitido aos domingos pela Rádio Uirapuru e apresentado por Jair Ineri Lazarotto, teve como destaque nesta edição o cenário econômico e o crédito rural no momento em que o agronegócio se prepara para uma nova safra. O bate-papo contou com a presença do presidente regional da Sicredi Integração RS/SC/MG, Alexandre Palagio, e do gerente de crédito da instituição, Landeilan Calgaroto, que trouxeram uma análise realista sobre a situação financeira dos produtores e o volume de recursos disponíveis no mercado.
Durante o programa, Calgaroto explicou que o momento é atípico: há grande disponibilidade de recursos para o financiamento agrícola, mas a dificuldade está em encontrar produtores com capacidade de tomar crédito. Segundo ele, “nunca houve tanto dinheiro disponível para o agronegócio”, mas a elevada alavancagem e o endividamento acumulado por parte dos agricultores têm limitado novas contratações.
Aproximadamente 40% dos produtores que buscam financiamento conseguem aprovação, e a principal barreira é o comprometimento financeiro após anos de perdas provocadas por secas, enchentes e oscilações nos preços das commodities. O gerente de crédito ressaltou que muitos agricultores ainda carregam dívidas de três ou quatro safras passadas, agravadas pelo aumento das taxas de juros e pela redução da rentabilidade com a queda do preço da soja e o aumento dos custos de produção.
Alexandre Palagio reforçou que o problema não está na falta de recursos, mas na falta de viabilidade econômica dos projetos diante da situação financeira do campo. Ele destacou a importância de um plano nacional de renegociação de dívidas capaz de diluir os passivos em prazos longos, de até nove anos , o que permitiria restabelecer a capacidade de pagamento e destravar o crédito para muitos produtores. Palagio alertou ainda que o atraso nas definições dessas medidas preocupa o setor, já que a nova safra está prestes a começar e muitos agricultores ainda não conseguiram garantir os insumos necessários. Encerrou destacando a urgência de soluções concretas para o crédito rural, essencial para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.