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Geral

Corte de árvores na Morom foi legal, mas preocupa pela perda da cobertura verde, destaca promotor Paulo Cirne

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

O corte de árvores na Rua Morom, no centro de Passo Fundo, na última terça-feira (12), chamou a atenção da comunidade e gerou debates sobre a preservação da arborização urbana.  A ação, realizada pela RGE, levantou dúvidas sobre os motivos que levaram à remoção completa das árvores, em vez da poda, prática mais comum nesse tipo de manutenção.  A situação reacendeu a discussão sobre o equilíbrio entre a segurança no fornecimento de energia elétrica e a necessidade de preservar as áreas verdes da cidade.

O tema foi destaque no programa Uirapuru Ecologia, do último final de semana, apresentado pelo geólogo Luis Paulo Fragomeni. Participou da edição o promotor do Ministério Público, Paulo Cirne. De acordo com ele, a questão da arborização em Passo Fundo é complexa e exige atenção, já que historicamente a cidade não teve um planejamento adequado para o plantio de árvores.  Muitas vezes, os próprios moradores escolhiam o que plantar em frente às suas casas, incluindo espécies que crescem demais e possuem raízes grandes, causando estragos nas ruas e calçadas.

Cirne destacou que existem casos em que árvores muito antigas precisam ser retiradas por risco de queda, mas que, ao mesmo tempo, é fundamental garantir o replantio. Ele explicou que a RGE possui uma licença geral que permite a realização de ações de manutenção para proteger a rede elétrica, postes e transformadores. No entanto, esse tipo de intervenção, embora legalizada, muitas vezes é vista como drástica, causa impacto na comunidade e preocupa o Ministério Público, principalmente pela perda significativa da arborização urbana.

O promotor observou que, apesar de a empresa realizar replantios, ainda falta um trabalho mais criterioso, que busque conciliar a segurança das redes elétricas com a estética e a preservação ambiental. Ele citou exemplos de outras cidades, como Porto Alegre, onde as intervenções costumam ser menos radicais. Para Cirne, as mudanças climáticas e o aquecimento global estão diretamente ligados à perda da cobertura vegetal.  Em Passo Fundo, a redução da cobertura verde também é motivo de preocupação, e por isso é essencial repensar esse modelo. / Ele lembrou ainda que o município já protocolou um programa de arborização, mas que ele precisa ser colocado em prática de forma efetiva para evitar perdas maiores e garantir qualidade de vida à população.