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Correios estão classificando correspondências desde o início da pandemia

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli
Correios estão classificando correspondências desde o início da pandemia
Correios estão classificando correspondências desde o início da pandemia

A privatização dos Correios segue sendo um assunto muito polêmico. Enquanto o governo federal e parte da população defende a privatização da estatal, os funcionários da empresa são contrários. Conforme o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Rio Grande do Sul (SINTEC-RS), Alexandre Nunes, os funcionários estão buscando alternativas políticas e jurídicas para que a privatização não aconteça.

De acordo com o secretário-geral, a privatização da estatal traria muito prejuízo para a população brasileira, que é quem de fato utiliza dos serviços. Nunes relata que os trabalhadores não concordam com a forma que os Correios estão atualmente. Conforme o representante sindical, em 2012 a empresa tinha 123 mil trabalhadores, atualmente são 95 mil. A pandemia fez a demandar aumentar muito, mas na contramão disso, o quadro de funcionário diminuiu.

O sindicalista entende o descontentamento da população, pois de fato o serviço não está sendo de qualidade, mas, segundo ele, essa situação é uma decisão da diretoria dos Correios. Desde o início da pandemia, a ordem é priorizar as encomendas que dão lucro para a empresa como, por exemplo, o Sedex e encomendas pagas, deixando as cartas simples, como conta de luz, água, boletos, por último.

Conforme o servidor, o Rio Grande do Sul vive hoje um apagão postal. A superintendência dos Correios no estado fez uma lista de prioridades para entrega, definindo que Sedex estadual, Sedex nacional, PAC e outras encomendas pagas devem ser entregues primeiro. Após isso as correspondências simples, chamadas de monopólio postal, são destinadas aos endereços. Isso vem causando atraso na entrega de contas e boletos e uma insatisfação dos clientes. No entanto, o representante frisa que a culpa não é do carteiro, mas sim da direção da empresa que definiu dessa forma.

De acordo com Nunes, a privatização vai encarecer o serviço e agências deficitárias, com as de cidades pequenas, serão fechadas. Desse modo muitas cidades ficarão sem Correios e terão que pagar mais caro por serviço de postagens ou se deslocar para outros locais. O secretário-geral defende que os Correios precisam de investimento, de concurso público e contratação de novos funcionários, pois nenhuma empresa funciona sem trabalhadores.

Para Alexandre Nunes, a direção da empresa está trabalhando politicamente para deixar o serviço cada dia pior, jogando a população contra os servidores dos Correios e facilitando um apoio à privatização da estatal.