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Geral

Consumo precoce de álcool ainda preocupa autoridades, mas Passo Fundo segue tendência nacional de queda

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

O consumo precoce de bebidas alcoólicas segue sendo motivo de preocupação para as autoridades de saúde e segurança. O problema atinge principalmente adolescentes, já que o cérebro nessa faixa etária ainda está em formação e o álcool pode afetar áreas essenciais, como a memória e o raciocínio.

Embora o percentual de jovens entre 14 e 17 anos que consomem bebidas alcoólicas venha diminuindo, a Organização Mundial da Saúde alerta que o acesso ainda é fácil e influencia diretamente o comportamento de risco. No Brasil, dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas mostram que o consumo entre menores caiu de 40% para 23% em três anos de pesquisa.

Mesmo com a redução, o número de adolescentes que experimentaram álcool antes da maioridade ainda é alto. Mais de 50% da população consumidora de bebidas alcoólicas afirma ter tido o primeiro contato antes dos 18 anos, e 26% dizem ter iniciado o consumo regular ainda na adolescência.

Em Passo Fundo, o cenário segue a tendência nacional, com redução nos registros de consumo entre menores, segundo o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (SHRBS), Leo Duro. Ele explica que os estabelecimentos da cidade contam com sinalização visível e regras rígidas sobre a proibição da venda de bebidas a menores de idade.

De acordo com o dirigente, garçons e bartenders são treinados para identificar adolescentes e solicitar documentação, seja em bares, restaurantes ou casas noturnas. No entanto, ele alerta que alguns estabelecimentos, principalmente os de funcionamento recente, demoram a se adequar e acabam descumprindo a lei,  o que prejudica a imagem do setor. Por isso, o sindicato reforça as orientações e trabalha em conjunto com os órgãos fiscalizadores para coibir a prática.

O município também conta com o apoio constante da Brigada Militar, que realiza ações de fiscalização em locais públicos e privados. O trabalho conjunto tem contribuído para reduzir os casos e conscientizar a população sobre o tema.

A coordenadora da Micro 2 do Conselho Tutelar de Passo Fundo, Stefani Gomes, reforça que o fornecimento de bebidas alcoólicas para menores é crime, conforme o artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Mesmo familiares podem ser responsabilizados se disponibilizarem bebidas a adolescentes.

Segundo ela, a Brigada Militar é responsável pela detecção do crime e pela abordagem inicial, enquanto o Conselho Tutelar aplica as medidas protetivas cabíveis aos menores envolvidos. Stefani destaca que os adolescentes têm direito ao lazer e à convivência social, mas cabe ao adulto agir com responsabilidade e não oferecer bebidas alcoólicas em nenhuma hipótese.

Para o Conselho Tutelar, o adolescente é a vítima nesses casos, e a punição recai sobre quem fornece ou facilita o acesso ao álcool. A orientação é clara: o consumo precoce pode causar danos à saúde e comprometer o futuro dos jovens  e a conscientização é o caminho mais eficaz para evitar que o problema se repita.