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Saúde

Consumo excessivo de álcool durante as festas de final de ano aumenta risco de doenças e pode causar lesões no fígado

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

O consumo frequente e em grandes quantidades de bebidas alcoólicas representa um fator de risco significativo para o desenvolvimento de diversas doenças, especialmente as que atingem o fígado. Com a chegada das festas de final de ano, período marcado pela ampla oferta de bebidas alcoólicas, especialistas reforçam o alerta para que a ingestão seja evitada ou, ao menos, reduzida.

De acordo com a médica hepatologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Raquel Scherer de Fraga, o álcool, embora culturalmente associado a momentos de celebração, não é inofensivo. “A quantidade e a frequência da ingestão fazem toda a diferença. O uso excessivo afeta todo o organismo, mas o fígado é um dos principais órgãos comprometidos”, explica.

Segundo a especialista, o consumo regular de bebidas alcoólicas pode provocar inflamações no fígado que, ao longo de 10 a 15 anos, podem evoluir para cirrose. Raquel ressalta ainda que a doença não atinge apenas pessoas que se embriagam diariamente. Conforme ela, é um mito pensar que só desenvolve cirrose quem fica bêbado com frequência. Há pessoas que consomem álcool regularmente, sem episódios de embriaguez, e mesmo assim desenvolvem a doença.

Além dos danos hepáticos, o álcool está associado ao aumento do risco de hipertensão arterial, doenças cardíacas, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), arritmias — especialmente quando combinado com bebidas energéticas —, pancreatite, transtornos mentais como depressão e ansiedade, além de possível contribuição para o desenvolvimento de demência. O consumo também é apontado como fator de risco para diversos tipos de câncer.

Embora a orientação médica seja evitar completamente o álcool, existem parâmetros utilizados para estimar um consumo considerado menos prejudicial. Conforme Raquel, não há uma quantidade totalmente segura, mas, em termos populacionais, admite-se até 30 gramas de álcool por dia para mulheres e 60 gramas para homens.

O alerta se intensifica durante as festas de final de ano, período em que é comum o chamado “binge alcoólico”, caracterizado pela ingestão de grandes quantidades em curto espaço de tempo. Para os homens, isso significa cinco ou mais doses em cerca de duas horas; para as mulheres, quatro ou mais. Esse padrão está associado ao surgimento de quadros graves, como hepatite alcoólica e pancreatite aguda.

Apesar disso, a médica pondera que episódios isolados de consumo excessivo, como uma embriaguez eventual ao longo do ano, dificilmente trarão consequências crônicas. No entanto, os riscos imediatos são relevantes, incluindo hipoglicemia, vômitos, aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões e até insuficiência respiratória.

A boa notícia, segundo a especialista, é que a interrupção do consumo pode reverter parte dos danos causados pelo álcool. “Em qualquer fase da doença hepática alcoólica, a abstinência traz melhora. Mesmo em casos de cirrose, parar de beber reduz o dano, diminui o risco de complicações e pode levar a uma regressão parcial da doença”, destaca Raquel Scherer de Fraga.