Confira o editorial da edição dessa semana no Jornal Troca-Troca Uirapuru:
O que estava previsto se confirmou: Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 33 aliados, inclusive generais, por plano para se manter no poder através de um golpe de Estado.
Ele pode pegar em tese até 43 anos de prisão por participar do plano golpista após ser derrotado em 2022. As provas contundentes, mostram que Bolsonaro concordou até com plano para matar Lula, Alckmin, Moraes e se manter no poder, afirma PGR.
A patriótica, serena e fiel postura de respeito à Constituição e à ordem democrática de alguns generais foi ‘determinante’ para conter o golpe, diz o relatório. A balbúrdia de 8 de janeiro de 2023, com depredação da sede dos Poderes da República é apenas a ponta do iceberg da ação dessa “organização criminosa” (segundo a PGR), eis que a estratégia para o Golpe, onde o general Augusto Heleno, de 4 estrelas (o mais alto posto no Exército) e ex-ministro de Bolsonaro atuou de forma destacada na arquitetação de todas as etapas da intentona.
Foi tudo de caso pensado segundo documentos encontrados na casa do general Heleno, pois identificam que ele integrou reuniões de ‘‘diretrizes estratégicas’’ visando ‘‘estabelecer de qualquer forma um discurso sobre urnas eletrônicas e votações” e justificar o golpe. Tudo de modo a atrair a população e ser motivação para derrubada do regime, diz a PGR.
O general Heleno é apontado como a pessoa que, ao lado do ex-presidente, participou de uma transmissão com o objetivo de “propagar informações inverídicas sobre o sistema eleitoral”. Isto apesar de os próprios integrantes do Exército terem afirmado que não havia qualquer irregularidade na urna.
Mesmo assim decidiram que essa seria a bandeira para dar um golpe. Provas com a PGR mostram ainda que ao discordar das conclusões do relatório das Forças Armadas que afirmava não haver fraude nas urnas, Bolsonaro exigiu que seu ministro da defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira “demonstrasse a existência de fraude” e assim garantir discurso para iludir e manipular simpatizantes na mobilização para ter justificativa para dar golpe e assim dominar Polícia Federal, justiça, legislativo e permanecer no poder.
Reunião na casa de Braga Netto decidiu estabelecer uma forma de criar um caos social e um falso relatório de fraude nas urnas para consolidar as 2 bandeiras para desencadear o desenrolar desse golpe. Tudo é incrível: Bolsonaro orientou alterarem relatório das Forças Armadas sobre segurança das urnas eletrônicas, bem como impedir a divulgação do documento que confirmava ausência de fraudes.
Isto tudo documentado e testemunhado por presentes no encontro. O procurador Geral da República, Paulo Gonet, ressaltou na denúncia que o ex-presidente, além de impedir a divulgação do relatório preparado pelas Forças Armadas sobre segurança das urnas eletrônicas nas eleições de 2022, tentou alterar as conclusões do relatório das próprias forças armadas.
Bolsonaro é apontado como quem teve “ciência de que a Comissão de Fiscalização não identificou qualquer fraude nas eleições de 2022, tanto no primeiro, quanto no segundo turno”. A repetição desse ponto é fundamental pois tudo partiu, desde 2018, do mantra definido de que problema era manipulação de resultados. Nesse lamentável e triste cenário devemos ressaltar e saudar o trabalho magnífico, exemplar, irrepreensível da Polícia Federal, sendo com certeza uma das maiores, mais qualificadas e mais delicada operação da história desta polícia judiciária.
Ressalte-se que a Polícia Federal que prendeu o Lula (com Dilma de Presidente) é a mesma Polícia Federal que investigou Bolsonaro – isso é postura saudável de uma organização que tem missão importantíssima em nossa sociedade provando mais uma vez ser uma instituição do Estado Brasileiro e não de governo algum…