Skip to content

Segurança

Conexões com outros estados são desafios da criminalidade em Passo Fundo, diz delegado da Draco

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O crime é ramificado e muitas dessas ramificações tentam a todo custo se conectar com Passo Fundo. Recentemente, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil prestou apoio na prisão de um homem relacionado a crimes em Santa Catarina, mas que estava aqui.

Em entrevista na Uirapuru, o delegado titular da Draco, Diogo Ferreira, declarou que a globalização acabou atingindo também a criminalidade. De acordo com ele, cada vez mais são vistos criminosos vinculados ao crime organizado fazendo contatos, sendo que no caso de Passo Fundo há uma situação que ocorre quase toda semana com passo-fundenses presos em outras cidades, que é o Conto do Bilhete. Ferreira lembra que esses criminosos cometem seus crimes em outras cidades e ficam 1, 2 ou 3 meses presos em outros Estados, onde estabelecem contatos.

Apesar de alguns estarem vinculados apenas ao Conto do Bilhete, o delegado destaca que eles têm parceiros e amigos vinculados ao tráfico de drogas e isso gera troca de contatos que são repassados para Passo Fundo. Além disso, traficantes, os chamados “mulas” ou alguns criminosos de segundo escalão, presos principalmente no Paraná ou em Santa Catarina, trazem drogas para serem entregues em Passo Fundo e acabam presos. Porém, antes mesmo também ocorre troca de contatos e parcerias, o que acaba ampliando os meandros nos quais eles podem atuar e reflete na criminalidade local. Conforme Diogo Ferreira, esse é um assunto bem complexo ao qual a polícia está sempre atenta.

Segundo o delegado, o principal fator quando há intercâmbio de criminosos é a dificuldade que eles trazem para a investigação. É mais difícil tanto para a vítima quanto para os policiais reconhecer e identificar um indivíduo que não é conhecido na cidade. Isso porque, conforme Ferreira, a polícia, de modo geral, conhece praticamente todos os criminosos da cidade. Quando alguém de fora aparece, isso acaba dificultando, sendo necessário recorrer a outras escalas de investigação.

Outro fator que gera esse intercâmbio e troca de contatos é quando alguns presos daqui são transferidos e colocados em outras unidades prisionais, o que cria mais contatos entre criminosos. Diante disso, Diogo Ferreira afirma que nem sempre é interessante enviar criminosos locais para outras unidades prisionais. O delegado também declara que Passo Fundo tem histórico de indivíduos que se dedicam somente ao conto do bilhete, pois, de acordo com a legislação, é um crime pelo qual é difícil ser preso, e quando é pego, a pena é de poucas semanas ou dias.

Para enfrentar esse fenômeno recorrente, Ferreira ressalta que a ajuda da comunidade é essencial. O delegado lembra que não existe dinheiro fácil. Portanto, qualquer coisa que fuja da normalidade deve ser observada com atenção, tanto presencialmente quanto online, pois os golpes pela internet estão cada vez maiores e mais elaborados. De acordo com ele, é necessário prestar atenção em todas as circunstâncias para evitar ser vítima de um golpe e, consequentemente, aumentar o êxito desse tipo de crime.