Conceito de carro popular não vale mais devido a tecnologia e conforto dos novos automóveis do mercado
O presidente Lula está buscando uma forma de reduzir o custo dos carros novos e afirma que não é aceitável que veículos de R$ 90 mil sejam considerados “populares”.
Ao falar sobre o assunto na Uirapuru, Renato Belotti, representante regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mencionou que, na época do Governo Itamar, foi criado um carro popular de 1.0 litro como forma de reduzir os custos de produção. Na ocasião, entendeu-se que um carro com essa cilindrada seria mais barato de fabricar e o governo federal concedeu descontos nos impostos para incentivar sua produção. Esse foi o início da popularização do Volkswagen Fusca, por exemplo. Porém, as montadoras naquela época não tinham tecnologia suficiente para produzir motores de 1.0. Diante disso, cada montadora preparou sua estratégia para produzir o carro popular, que, aos poucos, foi recebendo novos acessórios.
Belotti destaca que, atualmente, é impensável ter um carro sem itens básicos de segurança, como airbag, ABS e vidros elétricos, que eram luxos na época do Fusca. De acordo com o especialista, hoje carros usados com 10 ou 8 anos de uso e sem direção hidráulica e ar-condicionado são extremamente difíceis de vender, mesmo com preços mais baixos, pois as pessoas se acostumaram com o conforto desses itens. Além disso, ele destaca que hoje temos motores de 1.0 litro com potências de até 150 HP, além de motores turbo de 125 HP, pois a indústria automobilística brasileira se especializou em colocar muita tecnologia nesse tipo de motor.
Diante desta tecnologia e do conforto dos novos automóveis, Belotti acredita que a palavra “popular” não deve mais ser utilizada, já que os carros de 1.0 litro possuem a mesma segurança e os acessórios de carros maiores. Na opinião de Belotti, o conceito de carro popular agora é algo antigo e ultrapassado.