Comportamento agressivo no trânsito não pode ser justificado pelo estresse diário, alerta psiquiatra
Nos últimos anos a frota de veículos multiplicou no Rio Grande do Sul, mas poucas estradas foram criadas. Hoje são mais de 7 milhões circulando no estado. Passo Fundo é uma das cidades gaúchas com mais veículos, com mais de 150 mil. O tema foi debatido no programa Emoção, Afeto e Comportamento desta terça-feira (18).
Para o psiquiatra Érico Hecktheuer, a falta de infraestrutura e de investimentos nas vias e estradas não justifica o comportamento agressivo de alguns motoristas no trânsito. Todo ano no país são registrados, em média, 50 mil mortes no trânsito. A maioria dos acidentes são por imprudência. Estima-se que, por ano, cerca de 300 mil pessoas, tenham algum tipo de sequelas devido a acidente de trânsito.
Hecktheuer ressalta que a conduta arrogante no volante expõe a si e os outros a perigos, podendo causar cicatrizes profundas. Ele explica que, apesar das leis, no Brasil existe uma cultura de que desobedecer é sinônimo de superioridade. Avalia que os motoristas que estão cautelosos é mais em razão das multas que ficaram mais caras do que pela própria conscientização.
O psiquiatra disse o problema é que para uma boa parte da população o veículo não é só um meio de transporte, mas a extensão da sua personalidade. Dependendo do uso que o condutor dá, o veículo pode ser uma arma. Ressaltou que o trânsito é um espaço coletivo e não individual, onde as pessoas têm que entender que são mais uma na multidão.
O Dr. Hecktheuer frisou que o comportamento solidário entre motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas geram atitudes respeitosas. A provocação e o xingamento não devem ser revidados, a indiferença é a melhor resposta.