Com dificuldade financeira extrema, Ulbra pede recuperação judicial para tentar pagar dívida bilionária
A Ulbra pediu recuperação judicial em solicitação ajuizada na noite desta segunda-feira (6). A instituição de ensino enfrenta uma crise desde 2002, quando o endividamento passou a crescer de forma acelerada.
Segundo informações, a dívida a ser negociada é de R$ 2,4 bilhões. O valor engloba débitos financeiros e com fornecedores, além de R$ 315 milhões de créditos trabalhistas.
O endividamento total da Ulbra, no entanto, é de R$ 8,2 bilhões. O valor inclui R$ 5,8 bilhões em dívidas tributárias, que já foram negociadas e estão sendo pagas parceladamente. Decorrem do período em que a instituição perdeu a imunidade tributária.
O reitor da Ulbra, Ricardo Willy Rieth, enfatizou que a recuperação judicial não interfere na rotina acadêmica da universidade ou nas atividades das escolas de Educação Básica.
A intenção, inclusive, é normalizar o pagamento dos professores e dos funcionários do administrativo com a aprovação da recuperação judicial. Atualmente, falta 30% para finalizar o pagamento da folha de março. Atualmente a Ulbra tem cerca de 4 mil funcionários.
A empresa contratada pela Ulbra para conduzir o processo foi a Starboard, com sede em São Paulo e escritório em Porto Alegre. Haverá um prazo de 60 dias para apresentação do plano de recuperação judicial, que precisa ser aprovado por credores.
A Ulbra diz que a operação é afetada por situações que decorrem do próprio endividamento.
Leilões para pagamentos de dívidas trabalhistas da época em que a instituição mantinha hospitais, plano de saúde e até empreendimentos imobiliários começaram a afetar os ativos da empresa na educação, que é a área essencial do negócio. Foi o caso de duas unidades em Rondônia.
O receio de que a situação atingisse outras operações reforçou a decisão de pedir recuperação judicial.
Há ainda o atraso no repasse de recursos do Financiamento Estadual (Fies) por parte do Governo Federal. Segundo a Ulbra, são R$ 30 milhões ainda de 2019 a receber, o que afeta o pagamento dos funcionários.
Para finalizar, existe uma crise setorial no Ensino Superior. Há impacto nas universidades da implementação do Ensino Fundamental de nove anos, que começou efetivamente há cerca de uma década no país. Muitas escolas privadas ficaram sem turmas do 3º ano do Ensino Médio (EM) em 2018, o que reduziu em 2019 a procura por vagas no Ensino Superior.
Segundo a Ulbra, a crise iniciada em 2002 teve como origem investimentos superiores a R$ 1 bilhão que não foram feitos em Educação e não geraram retorno. As dívidas ultrapassaram, então, a capacidade de pagamento. A crise envolveu inclusive o afastamento em 2009 do então reitor, Ruben Becker, que foi condenado em 2018 por lavagem de dinheiro.
*GaúchaZH