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Geral

Com avanço da Inteligência Artificial, jovens enfrentam mais dificuldade para entrar no mercado, afirma pesquisa

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

O avanço da inteligência artificial já começa a impactar o mercado de trabalho no Brasil, especialmente entre os jovens. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que pessoas entre 18 e 29 anos têm quase 5% menos chances de conseguir emprego em setores mais expostos à tecnologia, como informação, comunicação e serviços financeiros. A tendência acompanha o cenário observado em países desenvolvidos, onde vagas iniciais também vêm diminuindo com a adoção acelerada de ferramentas de IA. Esse cenário também já começa a ser observado em Passo Fundo e região.

Em entrevista à Uirapuru, o professor do curso de Ciência da Computação, Carlos Holbig, explicou que o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho não é um fenômeno totalmente novo, já que outras inovações tecnológicas ao longo da história também provocaram mudanças nas profissões e na forma de trabalhar. No entanto, ele destaca que a principal diferença agora está na velocidade com que a IA está sendo adotada, especialmente após a popularização das ferramentas generativas a partir de 2022. Segundo ele, a tecnologia tende a afetar principalmente tarefas mais repetitivas e operacionais, comuns em funções iniciais de carreira, o que ajuda a explicar o maior impacto entre os jovens.

Essas atividades, como organização de dados, produção de relatórios e análises mais simples, são facilmente executadas por sistemas de inteligência artificial de forma mais rápida e com menor custo. Por outro lado, o professor ressalta que a IA também está criando novas oportunidades no mercado, especialmente para profissionais que buscam qualificação e entendem como utilizar a tecnologia a seu favor. Ele aponta que áreas que exigem criatividade, análise crítica e tomada de decisão seguem menos suscetíveis à substituição.

Holbig também observa que, em Passo Fundo e região, esse movimento já começa a ser percebido, principalmente em setores ligados à tecnologia. De acordo com ele, empresas já buscam profissionais, inclusive em início de carreira, que tenham algum nível de conhecimento sobre inteligência artificial, ao mesmo tempo em que vagas mais tradicionais vêm diminuindo.
O professor reforça que o principal caminho para os profissionais é compreender o funcionamento da tecnologia e utilizá-la como uma aliada no dia a dia de trabalho. Ele destaca que, embora algumas funções estejam sendo transformadas ou reduzidas, outras estão surgindo, muitas delas inexistentes até poucos anos atrás, o que exige adaptação e atualização constante por parte dos trabalhadores.