Com alta procura por atendimento, Passo Fundo encontra dificuldades para contratar médicos pediatras
Durante as últimas semanas muita polêmica e reclamações cercaram o atendimento pediátrico de Passo Fundo. Diariamente pacientes reclamam da demora, da falta de médico, de atendimento ruim e de lotação no Cais Fragomeni, local referência no atendimento para crianças no município, desde que o Hospital Municipal está em obras para receber o hospital Dia da Criança em breve. Na semana passada, um caso de agressão envolvendo um pai que procurava uma consulta pra filha e um segurança do Cais, chamou atenção para os problemas na unidade.
O assunto foi o grande destaque do programa Fala Passo Fundo do último sábado (07), que recebeu a secretária de Saúde Cristine Pilati e a responsável pelo atendimento pediátrico do Cais Fragomeni, Simone Bider. De acordo com Cristine, o município vem trabalhando para melhorar o atendimento das crianças na cidade. No entanto, é necessário fazer uma retrospectiva. Em 2019, o pronto atendimento pediátrico atendeu 9,6 mil crianças. Em 2020, foram atendidas 6,4 mil crianças. No ano passado, 19,5 mil crianças receberam atendimento e neste ano, nos primeiros quatro meses, 12,6 mil crianças já foram atendidas. De acordo com a secretária, o grande salto na procura por pediatras também vem contribuindo para maior demora, filas e outros problemas que vem sendo registrados.
Cristine destaca que o momento é preocupante em relação a falta de profissionais interessados em atender no sistema público e na quantidade de crianças para receber atenção. Desse modo, o município vem fazendo o possível para melhorar o serviço, mas esbarra em diversas dificuldades.
De acordo com a responsável pelo Cais Fragomeni, a pediatra Simone Bider, durante dois anos de pandemia as crianças ficaram isoladas e não foram expostas a doenças e vírus, isso fez com que a imunidade dos pequenos enfraquecesse. O contato com as doenças faz com que sistema de defesa do corpo humano desenvolva anticorpos para evitar que as pessoas adoeçam. Como as crianças ficaram isoladas durante dois anos, a imunidade ficou baixa, podendo ser um dos fatores para o salto no número de atendimentos pediátricos no município.
O prefeito Pedro Almeida também participou do programa Fala Passo Fundo e falou sobre os problemas com o atendimento pediátrico. O prefeito destacou que esteve recentemente em Brasília e conversou com outros gestores do Brasil que relataram a mesma dificuldade de encontrar profissionais para atuar na área da saúde. Pedro Almeida afirma que ele, a secretária de saúde, os servidores do município querem resolver o problema, mas acabam esbarrando nessa dificuldade. O prefeito fez ainda um apelo para que os pais tratem bem os poucos médicos que ainda se interessam em atender no sistema público, pois se a prefeitura perder esses profissionais também, a situação vai ficar ainda pior.