Semeato quitou dívidas com aproximadamente 20% dos ex-trabalhadores no processo de recuperação judicial até o momento
A Semeato já quitou mais de R$ 52 milhões em dívidas trabalhistas no âmbito de seu processo de recuperação judicial. As informações foram detalhadas pelo advogado Gilvar Paim, integrante da Brizola e Japur Administração Judicial, responsável pelo acompanhamento do caso.
Segundo o balanço apresentado, apesar dos avanços, o passivo trabalhista ainda é elevado, somando R$ 263.020.801,71. Até o momento, 419 credores — cerca de 20% do total da Classe I (trabalhista) — já foram integralmente pagos.
Além dos valores já quitados, ainda há R$ 5.189.331,40 depositados em juízo, sendo R$ 57.727,97 no processo principal e R$ 5.131.603,43 vinculados ao incidente de alienação de ativos, aguardando destinação aos credores.
De acordo com Paim, a perspectiva é de continuidade dos pagamentos à medida que novos recursos forem obtidos. Isso inclui a alienação de imóveis pertencentes à empresa e o recebimento de créditos judiciais, que deverão ser direcionados prioritariamente à quitação das dívidas trabalhistas.
Encerramento do processo está em análise
Outro ponto relevante é que a Administração Judicial já propôs o encerramento do processo de recuperação judicial, medida que ainda depende de decisão da Justiça.
A proposta ocorre em razão do fim do chamado “biênio fiscalizatório” — período de dois anos em que a empresa permanece sob supervisão direta do Judiciário após a homologação do plano e concessão da recuperação.
Caso o encerramento seja autorizado, o Plano de Recuperação Judicial seguirá sendo cumprido normalmente, porém sem a fiscalização contínua do Poder Judiciário, conforme prevê a legislação. Situações que eventualmente exijam intervenção judicial poderão ser tratadas por meio de incidentes específicos já em andamento.
Plano segue, mas dívidas não estão quitadas
Mesmo com a possível conclusão formal do processo, a Administração Judicial reforça que as obrigações trabalhistas ainda não foram totalmente quitadas. O pagamento continuará ocorrendo gradualmente, conforme a entrada de novos recursos provenientes da venda de ativos e de créditos a receber.
Na prática, o encerramento do processo não significa o fim das dívidas, mas apenas o término da fase de acompanhamento judicial obrigatório, mantendo-se a execução do plano até a liquidação completa das obrigações previstas.