Reajuste no plano de saúde deve aumentar atendimentos pelo SUS, avalia superintendente do HSVP
Após um inédito reajuste negativo no ano passado, os planos de saúde individuais ou familiares poderão subir até 15,5% este ano. O percentual máximo de reajuste que poderá ser aplicado às mensalidades foi fixado nesta quinta-feira (26) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Essa alta poderá levar milhares de pessoas ao Sistema Único de Saúde (SUS), abandonando o atendimento particular.
Em entrevista à Uirapuru, o superintendente executivo do Hospital São Vicente de Paulo, Ilário De Davi, explica que nos próximos meses os hospitais vão sentir a demanda aumentar, devido a alteração substancial de mais de 15% nos planos de saúde.
Conforme o Ilário De Davi, o Brasil devia ter, em torno de, 70 milhões de brasileiros com plano de saúde, no entanto, o número de assegurados não chega 50 milhões. Para o ele, o número não cresce devido ao alto custo dos planos, principalmente para as pessoas físicas. O cenário daqui pra frente não é animador. Com mais esse aumento ficará impossível manter um plano de saúde.
Hoje, cerca de 70% dos atendimentos feitos pelo HSVP são feitos pelo SUS. Os ambulatórios atendem mais de 90% pelo SUS. Por ser referência na saúde, os hospitais da cidade atendem mais de 300 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. De Davi explica que, por atender tantas pessoas, o sistema acaba sendo pressionado. Nesse sentido, o superintendente relata preocupação porque é necessário aliviar um pouco o sistema.
“Isso aconteceria se as pessoas tivessem acesso à saúde completar”, relata De Davi.
De Davi disse que as instituições que não visam lucro e que procuram atender a população devem ter uma base sólida e serem mantidas pelo poder público. Ele relata que muitas instituições estão altamente endividadas. Agora com mais um custo: o aumento do piso dos profissionais da saúde. De Davi ressalta que a instituição não é contra o direito dos profissionais, porém esse aumento vai impactar em quase 2 milhões de reais, em um mês. Em um ano o valor deve ser de 20 milhões de reais.
“Com quem vamos buscar esses valores?”, questiona o o superintendente.
De Davi teme que as instituições percam a capacidade operacional de atender a população e comece a faltar efetivo e medicamentos, levando a suspensão do atendimento.