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Que chato seria perder o que somos para se parecer com outros

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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Que tristeza silenciosa existe em abandonar a própria natureza para caber na forma alheia.

Há quem passe a vida inteira se lixando por dentro, apagando traços, afinando a voz, diminuindo a cor, escondendo a alma, tudo para não desagradar o olhar de quem nunca soube enxergar beleza no que é singular.

Mas Deus não repete moldes.
Não distribui destinos em série.
Não cria espíritos em cópia.

Cada ser carrega um desenho secreto, um modo irrepetível de existir, de sentir, de atravessar o mundo.

A borboleta não fracassa por não ser abelha.
O besouro não se torna menor por não ter asas delicadas.
A mariposa não precisa pedir desculpas por não brilhar como aquilo que o outro chama de belo.

Existe uma dignidade funda em ser exatamente o que se é.

E talvez uma das maiores dores humanas seja esta: começar a se envergonhar da própria essência porque alguém decidiu chamar de defeito aquilo que, na verdade, era só diferença.

Quantas pessoas se deformaram para serem aceitas.
Quantas suavizaram a própria luz.
Quantas engoliram gostos, dons, maneiras, sonhos, para não parecerem demais, de menos, estranhas, intensas, inadequadas.

Só que a alma paga caro quando trai a si mesma.

Fica cansada.
Perde viço.
Esquece o próprio som.
Passa a viver uma vida que até recebe aplauso, mas não oferece abrigo.

Não há paz em parecer.
A paz mora em pertencer a si.

Ser fiel ao que Deus plantou em você é um gesto de reverência.
É dizer ao Céu: eu recebo a forma com que fui sonhado.
Eu aceito a minha voz.
Eu honro a minha natureza.
Eu não preciso me mutilar para ser amado.

Porque no fim, o que encanta de verdade não é a semelhança.
É a presença inteira.
É a coragem de existir sem pedir licença para ser quem se é.

Que chato seria perder a própria alma tentando imitar outra.
Muito mais bonito é florescer na exata linguagem com que Deus nos escreveu.

 

Por @ diarioespirita1

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