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Por que os jovens estão tão agressivos? Psiquiatra aponta caminhos e causas

Públicado em Por RD Uirapuru / Valdir Mello
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Transformações intensas, ausência de apoio e um ambiente social cada vez mais violento estão entre os fatores que influenciam comportamentos agressivos que se iniciam na adolescência. O alerta é do psiquiatra Carlos Hecktheuer, que conversou com a Rádio Uirapuru sobre os recentes episódios de violência envolvendo jovens, muitos dos quais viralizam nas redes sociais por meio de vídeos gravados durante os atos.

Segundo Hecktheuer, a adolescência é um período marcado por profundas mudanças biológicas e emocionais, que exigem acompanhamento e compreensão. “O adolescente sai da fase infantil e vai para um processo de transformação. Ele precisa encontrar sua identidade, e isso, no mundo atual, ocorre de forma solta, sem auxílio adequado da sociedade”, afirma o médico.

Essa ausência de suporte, combinada a um ambiente coletivo hostil, acaba resultando em comportamentos extremos. “O mundo está violento, é hostil, e o adolescente, que naturalmente busca autonomia e quer expressar sua opinião, acaba se revoltando. Sem acompanhamento, ele pode adotar posturas muito primitivas e incivilizadas, como temos visto nas escolas e nas ruas.”

Para o psiquiatra, o problema se agrava quando os responsáveis por esses jovens também estão sobrecarregados emocionalmente. “Os pais, muitas vezes, vivem suas próprias confusões. Estão imersos em crises familiares, de trabalho, de liderança, e o adolescente fica entregue aos próprios impulsos”, explica.

A agressividade, segundo ele, é um traço inerente ao ser humano, mas que precisa ser canalizado e controlado com a ajuda do convívio social e da presença de figuras cuidadoras. “Nós não somos apenas seres dóceis. Temos um espírito combativo, de disputa. Na adolescência, isso precisa ser guiado. E o que vemos é uma sociedade frouxa, permissiva, que não impõe limites claros.”

Outro aspecto abordado na entrevista foi o papel de quem assiste passivamente à violência, muitas vezes filmando os episódios ao invés de intervir. Para Hecktheuer, isso revela uma identificação inconsciente com a agressividade. “Essas pessoas acham que não estão participando, mas estão. Ao filmar, também se tornam parte do ato. É um reflexo do mundo em que vivemos: agressivo, instável, sem segurança e com pouca punição.”

Apesar do cenário preocupante, o especialista reforça que é possível reverter esse quadro com acompanhamento, afeto e limites. “O adolescente precisa de cuidado, de estar cercado por pessoas que o queiram bem, que vivam bem com ele. É preciso entender que há uma revolta natural nessa fase e que o caminho não é apenas punição, mas acolhimento.”

Hecktheuer conclui destacando que a juventude não deve ser tachada como “futuro perdido”. “Pelo contrário. O que eles mais precisam é de presença, de alguém que ajude a atravessar esse momento de transformação.”

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