Ponto e Contraponto
Tentando desviar o foco
O Brasil registrou, na terça-feira, 3,7 mil mortes por covid em 24h. Mais um recorde absurdo. No mesmo dia, nenhum outro país do mundo registrou mais de 600 mortes pela doença. Enquanto batemos recordes de mortos, o presidente Jair Bolsonaro trata, mais uma vez, de desviar o foco do que é essencial (combater a pandemia unindo esforços) e fábrica crises. A última, com os militares depois de promover uma reforma ministerial surpresa na segunda-feira. Só que o tiro pode ter saído pela culatra. Ao tentar mostrar força, demitindo o general Fernando Azevedo e Silva do Ministério da Defesa, Bolsonaro se deparou com a reação dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica que deixaram suas funções em protesto, algo inédito nas Forças Armadas. O recado ao presidente ficou bem claro: as Forças Armadas são Instituições de Estado, não de governo, qualquer que seja ele.
Sensatez
O vice-presidente da República, General Amilton Mourão entrou em cena para desfazer qualquer hipótese de ruptura. “Pode botar quem quiser, não tem ruptura institucional; Forças Armadas vão se pautar pela legalidade, sempre”, disse. Mourão que tomou a primeira dose da vacina contra a covid e disse que estava cumprindo seu dever de cidadão, tem sido a voz da sensatez do governo.
Não há disputa
Qualquer pessoa com dois neurônios funcionando, percebe que distanciamento social, restrições de circulação reduzem a contaminação pelo coronavírus. Se hoje temos uma redução no número de casos e de hospitalização clínica, foi porque fizemos restrições nas semanas anteriores. Simples assim.
É mentira
E por falar em notícias falsas, mentirosas, retóricas construídas para confundir deliberadamente o cidadão, uma delas persiste: a de que a OMS afirmou que a Suécia estabeleceu um modelo de combate à pandemia, sem lockdown que deveria ser seguido. Mentira. A Agência Lupa, uma das primeiras agências de checagem do Brasil, verificou a informação e constatou que uma fala do diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Michael Ryan, feita durante entrevista em 29 de abril do ano passado, foi distorcida e compartilhada como se fosse atual.
Aos fatos
O modelo sueco de recomendar medidas de distanciamento acabou não funcionando. A pandemia se agravou em abril do ano passado e em junho, o epidemiologista Anders Tegnell responsável pela estratégia, admitiu que o plano provocou muitas mortes. Em dezembro de 2020, a Suécia registrou uma nova explosão de casos e em 2 de março de 2021 a Suécia tinha o 22º pior índice de mortes a cada 100 mil habitantes do mundo: 125,9 no total. Esse índice é pior que o do Brasil, que na mesma data era de 122.
Dica
Uma dica para os leitores da coluna que gostam de checar informações e não caem na onda do zap na hora de compartilhar. Existem várias agências de checagem profissionais que atuam com muita responsabilidade e confirmam se a informação é falsa ou verdadeira. Eis algumas que podem ser acessadas: Lupa; Fato ou Fake; Aos Fatos; E-Farsas; Painel do CNJ; Boatos.org. Então, antes de compartilhar mentiras, boatos, fofocas, dá uma checada em um destes portais pra não passar vergonha.
Reforço
Recursos extras que foram destinados pela Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público, Tribunal de Justiça, beneficiam hospitais do Estado, neste momento difícil da pandemia. O deputado Dirceu Franciscon (PTB) acompanha de perto os encaminhamentos e informa que Passo Fundo vai receber três valores:
Hospital Municipal: R$ 114 mil
Hospital São Vicente de Paulo: R$ 2.160 milhões
Hospital de Clínicas: R$ 1.302 milhão
Pingando ICMS
Com a venda da CEEE-D para a Equatorial Energia, na quarta-feira, um dos pontos da negociação diz respeito ao pagamento de parte da dívida em ICMS da companhia com o Estado. O valor total é de R$ 4,4 bi, mas o governo perdoou R$ 2,8 bi em troca de investimentos que devem ser feitos na empresa. Fica R$ 1,6 bi de ICMS a ser pago, com repercussão nos municípios gaúchos, que rateiam 25% da arrecadação, respeitadas a proporcionalidade de cada um. Num cálculo rápido, Passo Fundo poderá receber em torno de R$ 5 milhões.