Ponto e Contraponto: Reflexos do tabuleiro eleitoral em Passo Fundo
Pelo menos 44 deputados estaduais buscam a reeleição em 2026, e nove tentarão eleger-se para a Câmara Federal. Dois deles influenciam diretamente as eleições em Passo Fundo. Vilmar Zanchin (MDB) será candidato à Câmara dos Deputados e o partido pressiona o ex-prefeito de Marau, Iura Kurtz, a concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa para fazer a dobradinha. Laura Sito (PT), ao disputar uma vaga em Brasília — ocupando o espaço de Paulo Pimenta, pré-candidato ao Senado —, abre caminho para que a vereadora Marina Bernardes (PT), de sua mesma corrente partidária, seja lançada como candidata a deputada estadual. Essa movimentação, contudo, não inviabiliza a candidatura da vereadora Eva Valéria.
Disputa no PP
Outra situação que envolve Passo Fundo diz respeito ao Partido Progressista (PP), onde há uma disputa interna em nível estadual. O secretário de Desenvolvimento do Estado, Ernani Polo, e o deputado federal Covatti Filho almejam concorrer ao governo. Na prática, ambos negociam participar de uma chapa majoritária como vice, seja de Gabriel Souza (MDB) ou de Luciano Zucco (PL). Caso essa aliança se concretize, a deputada estadual Silvana Covatti é o nome indicado para vice, abrindo espaço político para que seu irmão, Sandro Franciscato, herde seu potencial eleitoral e seja o candidato do PP em Passo Fundo. A dúvida é: se Silvana Covatti não integrar a majoritária, Sandro manteria a andidatura?
Imigrantes e emprego
A recente invasão dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão do ditador Nicolás Maduro, ocorridas no último sábado, introduzem um novo elemento de reflexão sobre a presença de venezuelanos no Brasil e, mais especificamente, em cidades como Passo Fundo. Embora a situação política na Venezuela permaneça incerta e o regime de governo não tenha se alterado, o evento já desperta esperanças e expectativas entre muitos imigrantes de um possível retorno à sua terra natal. Em se confirmando, o Brasil poderá enfrentar desafios no mercado de trabalho, dado que o país abriga a quarta maior população de imigrantes venezuelanos no mundo, 732,3 mil pessoas.
Presença forte
Em Passo Fundo, a presença venezuelana é expressiva. Segundo estimativas do Balcão do Migrante, projeto de extensão do Direito da UPF, cerca de três mil venezuelanos residem na cidade, com pouco mais de dois mil inscritos no Cadastro Único. Essa comunidade, embora integrada localmente, mantém forte vínculo emocional e identitário com a Venezuela. Do ponto de vista econômico, o retorno à Venezuela poderá gerar um impacto sensível em setores produtivos que passaram a depender dessa mão de obra. O Caged aponta que, em 2025, Passo Fundo empregou 626 estrangeiros até novembro, o que representa 22,62% do total de 2.768 vagas geradas no ano. A indústria empregou 206, o serviço, 235, e o comércio, 158.
Ocupação
No setor metal mecânico há empresas da região que têm 60% dos trabalhadores de chão de fábrica migrantes venezuelanos. Os estrangeiros representam, por exemplo, em torno de 7% do quadro total de colaboradores da Comercial Zaffari, cerca de 500. Deste total de estrangeiros, 50% são venezuelanos. No cenário nacional, eles estão inseridos em atividades como o abate de animais, comércio varejista, serviços de alimentação, construção civil e o agronegócio.
Expectativa
É importante destacar que esse cenário ainda é hipotético e depende de desdobramentos políticos na Venezuela. Muitos podem adotar uma postura de “esperar para ver”, avaliando se as mudanças serão duradouras e trarão reais melhorias nas condições de vida. Além disso, a integração já consolidada no Brasil – incluindo vínculos trabalhistas, sociais e a presença de familiares – pode desacelerar um êxodo em massa.