Ponto e Contraponto: Mudanças em curso
A nova estrutura administrativa do governo estadual, aprovada pela Assembleia Legislativa no ano passado, obriga a atual administração a exonerar todos os cargos em comissão e FGs até 31 de janeiro. A partir de 1º de fevereiro, as contratações devem ser feitas sob nova legislação. Isso implica dizer que, os partidos da base de apoio ao governador Eduardo Leite correm para fazer suas indicações. Na atual gestão, os partidos terão o número de cargos distribuídos conforme a representatividade e a ordem é selecionar nomes compatíveis com a qualidade técnica da função. Se Passo Fundo e a região ficaram muito bem em termos de representatividade política, como mencionei em outra coluna (com dois secretários estaduais, deputados federais e presidência da AL em 2023) na indicação de nomes para assumir cargos de 2º e 3º escalões, talvez não tenhamos tanta sorte. O município não conseguiu eleger deputado estadual, por exemplo. E só terá um federal porque Danrlei retorna a Secretaria de Esportes, o que permite que Luciano Azevedo assuma a vaga.
Fragilidade
Conversando com lideranças do MDB local, partido do vice-governador Gabriel Souza, há entendimento de que localmente a sigla saiu fragilizada da eleição do ano passado. O vice-prefeito João Pedro Nunes, duas vezes no mandato desta função, ex-vereador e também ex-secretário da Assistência Social, teve um baixo desempenho para deputado estadual com pouco mais de 8 mil votos. Gilberto Capoani, que também se identifica com o município, não conseguiu se reeleger. Soma-se a isso a divisão interna desde a pré-campanha, entre apoiar a aliança com Eduardo Leite ou candidatura própria com Gabriel Souza.
Divisão
No segundo turno, embora o presidente do diretório municipal Luciano Fortes tenha, pessoalmente, se empenhado pela eleição de Leite, um grupo de emedebistas mais conservadores, fez campanha para Onyx lorenzoni (PL), reproduzindo o que ocorreu na liderança do prefeito da Capital Sebastião Mello. Obviamente que essa análise está no caderninho de Eliseu Padilha, nome designado por Gabriel para listar candidatos a ocupar cargos nos escalões inferiores.
Reavaliar
O MDB precisa reavaliar a forma de fazer política em Passo Fundo, sob pena de não eleger bancada para a Câmara em 2024. Esse sentimento permeia as mesmas lideranças com quem conversei. E o quadro pode se agravar com a desfiliação de nomes que já foram importantes para o partido, como o ex-vereador Paulo Neckle.
De olho
Na região, um nome que pode aparecer mais no cenário político é o do ex-prefeito de Ciríaco, por dois mandatos. Filiado ao MDB, Arlindo Lopes fez cerca de 20 mil votos para deputado estadual. É cotado para assumir cargo junto ao gabinete do vice-governador.
Superação
A situação não difere no PSDB, que não conseguiu reeleger Mateus Wesp. Como secretário da Justiça e Direitos Humanos terá que superar os obstáculos pautados pelas críticas de movimentos sociais contra a sua nomeação. Resta saber se a manifestação feita por ele, esta semana em redes sociais, é suficiente para superar as resistências externas, que acabam interferindo no governo. Se depender do governador não haverá troca.
Agenda em Brasília
O vice-presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque passou a semana em Brasília. Visitou os três ministros do partido no governo do Lula e se reuniu com a Ministra da saúde Nisia Trindade. “Coisa boa reunir com quem entende, vive, se dedica profissionalmente e se emociona com a pauta da saúde e do SUS”, disse. Como Presidente do Instituto Pietro solicitou mais leitos para transplantes de medula, nova faixa de idade máxima de 18 a 45 anos para cadastro de doadores e a volta da meta de cadastros no Brasil para até 300 mil doadores/ano, que hoje é de 149 mil. Segundo ele, as mudanças e retrocessos, sem diálogo, haviam sido feitas no governo anterior e geraram prejuízos à luta por mais cadastros, doadores e transplantes de medula.
