Ponto e Contraponto: Lances finais e expectativas
Governador eleito Eduardo Leite (PSDB) deve aguardar a votação do projeto que muda o organograma da administração estadual para anunciar os principais nomes do futuro governo. Leite quer aprovar primeiro, a proposta que inclui 27 secretarias nesta reforma, duas a mais do que atualmente. O deputado estadual Mateus Wesp (PSDB), por exemplo, que poderá ocupar função importante no governo, está focado agora na articulação para a aprovação dos projetos de reestruturação. Ontem, o parlamentar, líder de governo na AL, participou de reunião extraordinária de líderes para iniciar a definição da pauta de votação da próxima terça-feira, quando o período ordinário da Assembleia se encerra. No mesmo barco de expectativas também estão os deputados estaduais Gilberto Capoani (MDB), e Sérgio Turra (PP). Capoani pode ir para o Banrisul, e Turra pode assumir vaga na Câmara Federal, caso um dos deputados eleitos seja convidado a assumir uma secretaria. E ainda tem o ex-prefeito Luciano Azevedo (PSD) que de certo até agora só uma conversa a portas fechadas com Eduardo Leite.
Alianças partidárias
Não tem conta fácil para um governo com muitos aliados políticos. Para acomodar os interesses e garantir governabilidade, o que entra em jogo é a matemática. O tamanho de cada partido, o que ele garante do Legislativo e a força eleitoral contam muito na hora da distribuição de cargos.
Compromisso
O PDT, por exemplo, segundo o deputado estadual eleito, Gilmar Sossella, negocia uma secretaria de ponta (as mais importantes) ou duas intermediárias. Estará no governo, de acordo com Sossella, porque Leite assumiu compromisso de não privatizar Banrisul e implantar 50% a Escola de tempo integral.
Não foi unânime
O PSB, que aprovou esta semana a participação no governo Leite, está contando com a possibilidade de ocupar a Secretaria de Desenvolvimento Rural, que será desmembrada da Agricultura ou indicar quadros para outras áreas do governo como Habitação e Desenvolvimento Social. A decisão não foi unânime no partido. Foram 54 votos favoráveis e 20 contrários. O presidente, Mário Bruck, disse que os nomes indicados serão escolhidos pela executiva do partido nos próximos dias.
Ação e reação
Toda eleição requer estratégia e, no sistema eleitoral brasileiro, com eleições a cada dois anos, sempre uma prepara terreno para outra. Conquistar o poder é condição inerente para a existência partidária. Não fosse isso, não haveria razão de existência. E, é perfeitamente natural que os nomes comecem a ser testados do ponto de vista de potencial eleitoral. Então, falar de eleição municipal, neste momento, não está fora de propósito. Na política, como na vida, não existe ação sem reação.
Lugar de mulher
Para além do que estava acordado, e foi cumprido, a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Passo Fundo deixa um documento importante nos seus Anais, quando duas mulheres disputam o processo, tendo como adversários dois homens. O espaço da mulher na política não pode se resumir apenas a eleição delas para o Parlamento. É preciso avançar, ocupando espaços de comando, usufruindo o mesmo direito dado aos homens. Mulheres podem presidir os Legislativos, presidir comissões, administrar, gerenciar. Isso precisa ser entendido como ocupação efetiva do espaço político. Mulheres não são apenas número e muito menos figuras decorativas.
Eleitos
Por fim, eleição da Mesa Diretora da Câmara confirmou o acordo do início da Legislatura: Alberi Grando (MDB) preside em 2023 e Wilson Lill (PSB) preside em 2024. Foram 13 votos a 07 contra as chapas lideradas por Ada Munaretto (PL) e Regina dos Santos (PDT). Nharam Carvalho optou pelo acordo e será o vice de Grando.