Ponto e Contraponto: ECB Holding e grupo francês vão operar o Lauro Kortz
O empresário Erasmo Battistella viajou para São Paulo na tarde de ontem para acompanhar o leilão de concessão dos aeroportos Lauro Kortz, em Passo Fundo, e Sepé Tiaraju, em Santo Angelo. A ECB Holding S.A., de sua propriedade, foi a única empresa a apresentar uma proposta na segunda-feira e foi considerada habilitada pela Comissão de Licitação do governo do Estado na quinta-feira. A abertura oficial da proposta está marcada para hoje, às 10h, na B3, em São Paulo. A ECB terá como parceira operacional a francesa Egis, empresa com vasta experiência na gestão de 20 aeroportos em sete países, oferecendo serviços que vão da consultoria à operação direta. Na França, a Egis é responsável pela operação do aeroporto Paris Beauvais.
Estratégia
A escolha da parceira está alinhada com a estratégia de Erasmo Battistella, que prioriza a transição energética em seus empreendimentos. Um dos principais acionistas da Egis é a Tikehau Capital (40%), por meio de seu fundo T2 Energy Transition. Este fundo investe em pequenas e médias empresas europeias que contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa, com foco em geração de energia limpa, mobilidade de baixo carbono e eficiência energética.
Sem conservação
É lamentável a precariedade da ERS-324, especialmente no trecho Passo Fundo-Casca, por onde passam quase 20 mil veículos por dia. A última obra realizada na rodovia foi no governo de José Ivo Sartori. Depois disso, só operações tapa-buracos que não resolvem. A rodovia, considerada uma das mais perigosas do Estado, pelo seu desenho de curvas acentuadas, já chegou a ser chamada de a “rodovia da morte”, pelo número de acidentes fatais. Não está longe de continuar sendo, pois, invariavelmente, são registrados acidentes gravíssimos na estrada, sem contar os inúmeros tombamentos de carretas que costumam travar o trânsito por horas.
Obrigação
Além das curvas, o trecho Passo Fundo-Marau não tem acostamento, e há desníveis entre o asfalto e o que deveria ser um acostamento. Pintura para facilitar o motorista, especialmente à noite, é coisa do passado. O governo alega falta de recursos para manter uma via tão importante quanto esta, por isso a incluiu no Bloco 2 de concessões, que deve ser licitado ainda este ano. Mas a falta de conservação mínima, além de tapa-buracos obrigatório, seria mais do que uma obrigação do Estado.
Burocracia
Não bastasse isso, o município de Marau está há quase cinco anos tentando uma autorização do DAER para instalar um semáforo de quatro tempos na rodovia, em frente à Metasa. O município comprou o equipamento, fez a contagem de veículos que passam pelo local, como exigência, e até agora o DAER não andou com o processo. Em horários de pico, especialmente no final do dia, o trânsito fica insustentável no local, o que poderia ser melhorado com um sistema semafórico, cujo custo será todo do município.
Concessão Onerosa
Uma rodovia sem qualquer conservação torna-se mais cara para a empresa que vier a vencer a licitação da concessão. Por isso, a tarifa de R$ 0,19. Se o governo fizesse a sua parte, talvez o preço inicial do pedágio fosse mais digerível.
Debate interno
O PDT de Passo Fundo terá nomes para a disputa eleitoral de 2026. O assunto já é tratado internamente e a vereadora Regina dos Santos, que preside o diretório, disse estar à disposição para contribuir. Na eleição de 2022, Regina foi candidata a vice de Vieira da Cunha.