Ponto e Contraponto: É preciso enfrentar o desinteresse pela política
Fortalecer a representatividade política nas eleições de 2026 está na pauta do Comitê de Entidades Empresariais de Passo Fundo. O Comitê é formado por 10 entidades que representam diversos segmentos do setor empresarial, reforçando a importância do diálogo, da articulação e da construção coletiva para uma cidade mais forte. O assunto começou a ser tratado na segunda reunião bimestral do ano, realizada em maio. Os representantes das entidades entendem que é importante valorizar e incentivar candidaturas locais para garantir mais protagonismo político e maior destinação de recursos para a cidade. O objetivo é meritório, a luta tem sido inglória. Com mais de 214 mil habitantes e 150 mil eleitores, o passo-fundense não tem o sentimento de pertencimento e demonstrou, na eleição do ano passado, que está desconectado com a política. Pois 39 mil eleitores não votaram para prefeito e nem para vereador. Uma abstenção altíssima, preocupante. Candidatos locais teremos de todos os partidos e são bons nomes que podem nos representar com qualidade. Interesse por eles é o que falta de parte de quem realmente decide.
Os números
Na eleição de 2022, entidades empresariais ainda não organizadas através de um Comitê, fizeram uma campanha pelo voto local “Tamo Junto Passo Fundo”. Mesmo assim, o resultado foi desastroso. Dos 15 candidatos a deputado federal mais votados no município, apenas cinco eram locais: Luciano Azevedo (PSD) – 52.059 votos (46,92%); Ada Munaretto (PL) – 4.353 votos (3,92%); Ingra (PSOL): 2.438 votos (2,20%); Professor Israel (PT): 1.510 votos (1,36%); Reginete Bispo (PT): 995 votos (0,90%). Por conta do desempenho do partido, Luciano Azevedo ficou na suplência, com mais de 77 mil votos computando outras regiões. Chegou a assumir o mandato por mais de um ano. Mas, suplente é suplente.
Pulverização
No desempenho dos candidatos a deputado estadual há que se considerar alguns fatores domésticos: o número de candidatos lançados pelos partidos e a consequente baixa votação feita aqui. Dos 15 mais votados em Passo Fundo, dez são locais. A coluna vai nomear cinco deles: Marcio Patussi (PL): 11.901 votos (10,80%); João Pedro (MDB): 8.733 votos (7,93%); Rodinei Candeia (Republicanos): 7931 votos (7,20%); Mateus Wesp (PSDB): 7.482 votos (6,79%); Eva Valéria Lorenzato (PT): 6.960 votos (6,32%).
Estratégia
Mais uma vez em 2022, a abstenção bateu no teto. Passo Fundo teve pouco mais de 110 mil votos válidos, para um total de 149 mil eleitores. O que isso significa? Desinteresse pela política, desconhecimento dos candidatos locais e falta de estratégia de comunicação.
De fora
O último deputado federal eleito foi Beto Albuquerque (PSB), que deixou o mandato em 2015. De lá para cá, ficamos a ver navios em relação as emendas parlamentares. Luciano Azevedo, que assumiu parte deste mandato não teve acesso a emendas, mas, mesmo assim, conseguiu liberar em torno de R$ 50 milhões para projetos que estavam nos ministérios.
Moralidade
O avanço do Congresso sobre o orçamento da União, como forma de barganha e chantagem, é uma anomalia. Os parlamentares abocanham R$ 58 bilhões do orçamento. É dinheiro demais com destinação duvidosa. Precisa acabar com as emendas? Não é isso. Precisa frear esta sede voraz pelo dinheiro público e dar transparência para sua destinação. Na próxima coluna, vou trazer o ranking de quem mais destinou emendas para Passo Fundo nos últimos anos.