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Ponto e Contraponto: Demonstração de sintonia

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

Pode-se considerar histórica a agenda que o governador Eduardo Leite cumpriu em Passo Fundo, nesta quinta-feira. Mesmo com atraso de quase uma hora, o governador inaugurou a emergência do Hospital de Clínicas, o Centro Esportivo Fredolino Chimango, reuniu-se com empresários, visitou o HSVP e a Escola Cecy Leite Costa. Foi recepcionado pelo prefeito Pedro Almeida e durante a agenda esteve ladeado pelo Secretário de Justiça Mateus Wesp, a quem chamou de embaixador de Passo Fundo no secretariado, e pelo deputado federal Luciano Azevedo. A demonstração de sintonia se confirmou nos discursos. Prefeito e governador exaltaram a união de Estado e Município para buscar recursos e viabilizar projetos e obras. Na inauguração do Fredolino Chimango, o secretário Danrlei de Deus elogiou a prefeitura por destinar a maior parte dos recursos, como reconhecimento aos projetos do Estado para o Esporte. Na reunião-almoço da Acisa, o prefeito Pedro elogiou o governador pela capacidade de investimento conquistada na primeira gestão. Sintonia é premissa básica para entendimentos. A confirmar.

O governador é Pop

Indiscutível o carisma do governador Eduardo Leite. Foi difícil sair do salão principal do Clube Comercial, ontem à tarde, depois da palestra aos empresários. Atendeu a todos os pedidos para fotos. Antes, Leite recebeu homenagem do PSDB como agradecimento pela destinação de recursos que colaboraram com as obras, muitas em andamento e recebeu o convite para participar da Feitech.

Emoção

No Hospital São Vicente de Paulo, o governador se emocionou ao conversar com crianças e adolescentes que estão em tratamento contra o câncer e elogiou o acolhimento oferecido aos pacientes e suas famílias na unidade. “Da última vez que estive aqui, foi para visitar as obras da unidade. Que bom voltar hoje e ver as crianças e os adolescentes e suas famílias sendo bem acolhidos. Emociona porque são crianças com tanto ainda pela frente e que estão passando por algo pesado, mas esse ambiente dá o conforto e o acolhimento necessários para que passem por esses momentos difíceis”, pontuou.

 Exaustivo

Repetitivo e cansativo o debate em torno do subsídio do transporte público de Passo Fundo na Câmara de Vereadores de Passo Fundo. O tema é importante, sem dúvida nenhuma, não tivesse o componente eleitoral à frente. A estratégia de alguns vereadores, que votarão contra o subsídio, de fazer enquete em redes sociais e distribuir panfletos com questionamento que leva o cidadão a interpretar o projeto de forma errada, foi levado para a tribuna nas duas sessões plenárias desta semana. No panfleto, a oposição pede se o cidadão concorda com a transferência de R$ 9 milhões para empresas do transporte coletivo, sem reduzir a tarifa? O projeto não fala em redução de tarifa, mas congelamento nos atuais R$ 5,50 e a criação de uma comissão para analisar a possibilidade de reduzir o valor da passagem. Os vereadores Nharam Carvalho (UB) e Luiz Valendorf (PSDB) ponderaram que a pergunta a ser feita é se o cidadão concorda ou não com o repasse do recurso para congelar a tarifa e evitar um aumento que vai ultrapassar os R$ 6,00.

Foco

“Vereador que é contra o subsídio não anda de ônibus. Não conhece o trabalhador da vila, que precisa se deslocar para trabalhar”, disse Evandro Meirelles (PTB), durante reunião da Comissão de Finanças com o Promotor Cristiano Ledur, na terça-feira. Na mesma reunião, a vereadora Janaína Portela (MDB) pediu para focar no que realmente interessa no projeto, deixando questões como a licitação para um debate posterior.

Confronto

O assunto engrossou o caldo na tribuna da Câmara, ainda na segunda-feira, quando o líder do governo Gio Krug (PSD) questionou o líder da oposição, vereador Rodinei Candeia (Rep.) sobre uma das perguntas da enquete que diz se o cidadão votaria em vereador que transfere recursos para empresas de transporte sem contrapartida? Krug perguntou a Candeia qual o propósito da pergunta e se a intenção era intimidar, não intimidaria. Para a coluna, o vereador Candeia disse que não leva como crítica estas manifestações. “Acho que essas reações só demonstram o desconforto em tratar do assunto publicamente, mas estão dentro do debate político”, disse.

A descoberta

O mais importante disso tudo é que, finalmente, os vereadores descobriram o transporte público, foram para as paradas de ônibus, conversaram com usuários circularam de ônibus e, certamente poderão contribuir, e muito, para que o sistema melhore e, quem sabe, não se torne exemplar como o de Araucária, exaustivamente exaltado nas últimas semanas como o modelo a ser seguido.  Só ressalvando que Araucária iniciou esse processo em 2016, oito anos antes.

Em jogo

Na segunda-feira, os vereadores devem votar o projeto do subsídio, pela segunda vez, já que rejeitaram na primeira. Se será aprovado ou não, ainda não se sabe. Independentemente do resultado, é bom que se diga que para toda ação existe uma reação e cada um é responsável pelos seus atos, assumindo, inclusive, as consequências.  Neste caso, a decisão dos vereadores vai se refletir diretamente no bolso de quem usa o transporte, cuja maioria certamente está distante dos embates acalorados que se dá na tribuna do Parlamento Municipal.

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