Ponto e Contraponto: Adiar ou não as eleições municipais no RS?
Embora ainda em momento não oportuno, a possibilidade de adiamento das eleições municipais no Rio Grande do Sul é assunto que começa a ser a criar um burburinho nos partidos no Estado. No âmbito da Justiça Eleitoral, o tema não é tratado, mesmo porque a única mudança no calendário eleitoral até agora foi em relação à regularização do título que passou do dia 8 para 22 de maio. As demais datas estão mantidas, incluindo uma delas que iniciou no dia 15, quando começou o prazo para captação de recursos por meio de ‘vaquinhas eletrônicas’ ou campanhas solidárias. Também estão mantidos os prazos de desincompatibilizações de servidores públicos que pretendem concorrer. Para o eleitoralista Bruno Weber do Amaral, do ponto de vista da viabilidade, a eleição de 2020 indica que é possível, já que a pandemia mudou a dada do pleito naquele ano. Agora, a posição do TRE-RS e TSE, segundo ele, é aguardar mais um tempo para avaliar melhor a situação, especialmente de cidades que foram completamente alagadas pelas enchentes.
Complexidade
Para o deputado federal Luciano Azevedo (PSD) a transferência da eleição só no Estado é um processo complexo. “Sou contra prorrogação de mandatos! Por isso, creio que só se pode discutir adiamento de eleições naqueles municípios muito afetados pela tragédia. Teria que haver uma legislação específica definindo quais são”, comentou. Luciano, que tem percorrido alguns municípios nos últimos dias, disse que há um sentimento naqueles mais atingidos pelas enchentes de construiu chapas de consenso para evitar a disputa.
Aguardar o cenário
O presidente estadual do MDB, deputado Vilmar Zanchin tem determinado aos diretórios municipais foco em mobilizar e atender os necessitados neste momento. Passo Fundo, por exemplo, conforme Luciano Fortes, cancelou o lançamento das pré-candidaturas. “Vamos obedecer ao diretório estadual e aguardar os próximos dias. Creio que senão tiver melhora no cenário estadual somos favor da prorrogação da eleição ao nível estadual”, comentou Fortes.
Análise criteriosa
A vereadora Regina dos Santos, presidente do diretório municipal do PDT, disse que os partidos têm dificuldade de fazer uma análise mais criteriosa neste momento. A sede do PDT em Porto Alegre, por exemplo, está alagada. Do ponto de vista democrático e como posição pessoal, defende que as eleições sejam mantidas na data prevista. Mas entende que muitas cidades não têm estrutura nenhuma para fazer campanha e realizar o pleito. “O foco neste momento não é a eleição. Os partidos não estão conseguindo fazer essa reflexão de forma aprofundada. É hora de ajudar as pessoas”, completou.
Entre os polos
A divergência maior acontece entre os polos ideológicos. De um lado, o PL defende o adiamento das eleições e, talvez, prorrogação dos mandatos atuais, de outro, o PT rejeita a ideia de transferir o pleito. O assunto vai ganhar força assim que houver mais clareza em relação aos estragos provocados pela maior catástrofe ambiental sofrida pelo Estado.
Não está nos planos
Se depender da movimentação do TSE, a ideia de transferir a eleição não está nos planos. O atual presidente Alexandre de Moraes disse que o Tribunal vai substituir todas as urnas danificadas a tempo da eleição de 6 de outubro.
Rápidas
– A tragédia climática no RS paralisou o debate eleitoral e trouxe à tona o pior da política: o enfrentamento ideológico, cujo único objetivo é desgastar o adversário;
– Senador Irineu Orth (PP) reúne-se na tarde desta sexta-feira, as 14, com a diretoria da Acisa. Objetivo é expor o projeto apresentado por ele para destinar R$ 2,2 bilhões do Fundo Eleitoral ao RS;
– O PT aprovou mais 31 pré-candidaturas ou apoios para as eleições municipais. Da lista divulgada pela Executiva Nacional, dois pré-candidatos que serão apoiados pela sigla em outubro são do União Brasil e outros dois, do MDB. No RS o PT deve ter dobradinhas com o União Brasil em Santa Maria e Canoas.