Ponto e Contraponto: A conveniente divisão
A divisão partidária em período eleitoral é muito conveniente para partidos de Centro, especialmente em segundo turno. Simples, ganhe quem ganhar, o partido apoiador estará no governo. A história política recente está repleta de exemplos quer no cenário nacional, quer no estadual. MDB e PP, partidos mais tradicionais, são exemplo de que dançam conforme a música. Desde a redemocratização (anos 1980), por exemplo, o MDB, considerado resistência na ditadura, já foi esquerda, centro, centro-esquerda e até centro-direita. O Progressista, com raízes na Arena (partido de sustentação do Regime Militar) já foi PDS, PPR, PP, PPB e voltou a ser PP. Com um posicionamento muito mais de centro, centro-direta flertou e formalizou aliança com a esquerda durante os governos Lula e Dilma, participando como base de apoio no Congresso e ocupando cargos em ministérios e segundo escalão.
Tudo se ajeita
No Rio Grande do Sul, este cenário não é diferente. Trazendo para o momento atual, MDB e Progressista ficaram bem na fita com o resultado eleitoral que deu vitória a Eduardo Leite. O PP teve candidato próprio, mas como todos sabem, havia uma resistência interna em relação ao senador Luiz Carlos Heinze, que disputou o Palácio Piratini, amargando 4,% de votos. No segundo turno, isso ficou mais claro com o apoio de lideranças como os deputados estaduais reeleitos Frederico Antunes e Silvana Covatti. E agora, na hora de compor a base, o partido é convidado a integrar a base de apoio. O inverso seria verdadeiro, no caso de Onyx Lorenzoni (PL) ter vencido a eleição.
Protestos terroristas
Não é no Irã, não é na Venezuela, nem na Colômbia e muito menos no Afeganistão. Os protestos golpistas com escalada violenta e terrorista estão acontecendo aqui no Brasil. Grupos que não querem aceitar o resultado democrático das urnas, interrompem rodovias, incendeiam caminhões, agridem pessoas e impedem passagem de quem precisa de atendimento médico ou até de quem iria se despedir de entes queridos.
Apuração
Em Rondônia, o Ministério Público do Estado, apura o ataque a uma adutora de água e enquadra o caso como um possível crime de terrorismo. Em Santa Catarina, bem pertinho de nós, a Polícia Rodoviária Federal comparou o formato dos ataques ao de terroristas e de adeptos da tática black bloc, que pregam depredação e usam máscaras para cobrir o rosto, conforme destacam alguns dos portais mais importantes do país. O fato mais inusitado, sem dúvida, foi o episódio de Porto Alegre, onde manifestantes, em círculo pediam ajuda extraterrestres para anular a eleição. Seria piada se não fosse trágico.
Manobras
Com matérias importantes para serem votadas, a Câmara de Vereadores está desde a semana passada sem votar projetos na Ordem do Dia. Sessão de quarta-feira foi mais uma sem matérias. Manobras regimentais, como apresentação de emendas e pedidos de vistas, prerrogativas dos vereadores, trancam a pauta da Câmara. Projeto que concede subsídio às empresas do transporte público empacou na Comissão de Finanças. Proposta do Executivo foi protocolada em 5 de outubro, mas o projeto só começou a ser debatido depois do segundo turno das eleições. Uma das consequências é o atraso na votação do orçamento. Ficou tudo para terça-feira da próxima semana. Sim, porque segunda tem jogo do Brasil.
Litigância de má fé
Este é o termo jurídico que sustenta a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, ao estabelecer uma multa de R$ 22,9 milhões ao PL, partido do presidente Bolsonaro, por acionar a justiça de forma irresponsável. Na terça-feira, o presidente do PL Costa Neto ingressou com ação no TSE pedindo a anulação dos votos de nada mais nada menos do que 270 mil urnas, alegando ‘desconformidade de mau funcionamento em alguns modelos’. Sem apresentar provas, Costa Neto ainda disse que o pedido da ação não representava o pensamento do partido. Moraes também determinou o bloqueio do Fundo Partidário até que a multa seja paga.