Para ser doador de órgãos, basta manifestar o desejo aos familiares
O Brasil é o segundo país do mundo que mais realiza transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2021, foram feitos cerca de 23,5 mil procedimentos. Desse total, cerca de 4,8 mil foram transplantes de rim, 2 mil de fígado, 334 de coração e 84 de pulmão, entre outros. O país tem mais de 600 hospitais de transplantes autorizados.
No entanto, os dois anos de pandemia reduziram consideravelmente o número de doadores que vinha numa crescente até 2019. O tema doação de órgãos veio com força nos últimos dias por conta do apresentador Fausto Silva, que entrou na fila do SUS para um transplante de coração. O Programa Sem Segredo de sábado recebeu o Coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital São Vicente de Paulo, Dr. Cassiano Ughini Crusius e a enfermeira da Organização, Fabiana Dal Conte Buzatto.
Dentre os pontos destacados por ambos, o primeiro desmistifica a morte encefálica. Segundo o Dr. Cassiano, ninguém com morte encefálica atestada volta a viver e, para que a doação de órgãos seja efetivada, são expedidos três laudos de médicos diferentes. Ele também explicou que coma é diferente de morte encefálica e que no caso de uma pessoa em coma, ela pode recuperar-se.
Outro questionamento respondido pelo médico é quanto a fila do transplante: é uma fila única, administrada pelo SUS que obedece a critérios de compatibilidade entre receptor e doador e a gravidade. Então, o primeiro da fila pode não ser o primeiro a receber um órgão, mas sim aquele que é compatível e estiver numa situação de maior gravidade. Além do que, não existe no Brasil transplante pago e muito menos particular. Todos os procedimentos são públicos e gerenciados pelo SUS.
Cassiano Ughini Crusius disse que um doador saudável e bem manejado pode salvar a vida de muitas pessoas e garantir mais 120 anos de vida somadas entre os receptores. Ele informou ainda que o perfil dos potenciais doadores é de homens, jovens que morreram por conta de traumatismos como acidentes.
Para ser doador de órgãos a pessoa precisa manifestar o seu desejo aos familiares. Ela pode também fazer um registro em cartório, a fim de confirmar a sua intenção. No entanto, a família é quem vai autorizar ou não. Hoje, no Brasil, há 45% de recusas, inviabilizando que muitas outras pessoas possam ampliar a expectativa de vida. Para a enfermeira Fabiana, conversar em família e com amigos é o melhor caminho para concretizar o ato de doar.