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“O agricultor é uma empresa a céu aberto”, diz presidente do STR sobre riscos da atividade

Públicado em Por RD Uirapuru / Valdir Mello
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O Dia do Colono, celebrado em 25 de julho, é uma data que reconhece a importância dos agricultores na construção do país e no abastecimento da população. A data também marca o Dia Internacional da Agricultura Familiar, segmento que responde por grande parte da produção de alimentos no Brasil. Em entrevista à Rádio Uirapuru, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Passo Fundo, Marinês Scapini Penz, destacou os desafios enfrentados pelo setor, especialmente diante das mudanças climáticas, da instabilidade econômica e das dificuldades de acesso a políticas públicas mais efetivas.

Marinês apontou as condições climáticas adversas como o principal desafio enfrentado atualmente pela categoria. Ela relatou que, nos últimos quatro anos, estiagens, enchentes e geadas comprometeram diversas safras, prejudicando fortemente a produção agrícola. “Essa questão tem estado muito presente nas conversas, nos eventos do setor, porque são eventos que afetam diretamente a vida do agricultor. E é preciso discutir o papel do agricultor na preservação do meio ambiente, porque vivemos dele e também dependemos dele para viver”, destacou.

A dirigente sindical também chamou atenção para os impactos financeiros decorrentes dessas perdas na produção, especialmente no que diz respeito ao endividamento dos agricultores. Segundo ela, muitos produtores têm enfrentado dificuldades para honrar compromissos. “O agricultor sabe plantar, tem esperança, mas seu risco é gigante porque trabalha com uma empresa a céu aberto. A estiagem, o excesso de chuva, tudo isso influencia. E mesmo com alguns cultivos protegidos, o clima ainda é determinante”, explicou.

Outro fator apontado por Marinês é o custo elevado do crédito rural e os juros praticados mesmo após o lançamento do Plano Safra. De acordo com a presidente do sindicato, muitos agricultores familiares atuam também nas culturas de soja e milho, representando cerca de 35% da produção de oleaginosas da região, e acabam sendo impactados diretamente pelas taxas. “Os preços pagos pelos produtos estão abaixo do necessário, enquanto os juros estão altíssimos. Isso preocupa. O agricultor não vive só de hortaliça ou leite”, alertou.

Sobre as mobilizações recentes dos agricultores por securitização das dívidas, Marinês disse que o movimento foi legítimo diante do acúmulo de perdas climáticas. Ela afirmou que o agricultor não busca o perdão das dívidas, mas condições viáveis para pagá-las. “O que ele quer é prazo, juros possíveis, e continuar produzindo. Se ele desiste da atividade, migra para a cidade, e aí é mais um em busca de emprego, de assistência. Deveria ser premissa dos governos atender a classe primária”, declarou. Segundo ela, mesmo com os altos preços nos supermercados, o agricultor não é o principal beneficiado, pois o lucro maior fica com a indústria, o varejo e os atravessadores.

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